1) Preparação de Materiais
Por que selecionar e climatizar as madeiras é importante?
Madeiras bem selecionadas e climatizadas garantem estabilidade dimensional, evitando empenos, trincas e falhas de colagem. Além disso, influenciam diretamente na resposta acústica e na durabilidade do instrumento. Um lote de madeira climatizado entre 8% e 12% de umidade responde melhor ao toque e mantém o instrumento estável ao longo dos anos.
A escolha criteriosa da madeira é um dos passos mais importantes no início do projeto. Todas as partes do instrumento — tampo harmônico, fundo, laterais, braço, reforços internos, varetas, espelho, filetes e roseta — devem ser planejadas com base em peças bem secas, estáveis e com propriedades acústicas adequadas.
Critérios de seleção
- Corte e grã: Prefira cortes radiais (quartersawn) para tampo, fundo e laterais. Nesse tipo de corte, a madeira é serrada de forma que os anéis de crescimento fiquem perpendiculares à superfície da peça, resultando em uma grã reta e uniforme. Essa orientação reduz a tendência ao empenamento, aumenta a estabilidade acústica e favorece a transmissão das vibrações. Em contraste, cortes tangenciais (flatsawn) apresentam veios mais ondulados e são menos estáveis, podendo deformar com variações de umidade.
- Timbre: cada espécie possui características tonais específicas. O abeto (spruce) gera som claro e brilhante, enquanto o cedro proporciona timbre mais quente e encorpado. Experimente o “tap tone” (teste auditivo) para avaliar a sustentação.
- Estética: procure harmonia visual entre todas as partes. Observe coloração, figurações e veios. Rejeite peças com nós soltos, rachaduras, bolsas de resina, marcas de miolo central (“pith”) ou tensões internas aparentes.
- Estabilidade: evite tábuas que apresentem torções ou trincas. Prefira peças que se mantenham planas após corte e lixamento leve.
- Tap tone (teste auditivo): ao bater levemente com o nó dos dedos, busque um som claro, ressonante e sustentado, sem abafamento.
Climatização e armazenamento
- Mantenha as madeiras em local arejado, protegido da luz solar direta e com boa circulação de ar.
- Use suportes ou ripas entre tábuas para permitir fluxo de ar uniforme durante a climatização.
- Evite variações bruscas de temperatura e umidade; o ideal é mantê-las em ambiente estável, com controle sempre que possível.
- Deixe a madeira repousar no ambiente da oficina por pelo menos algumas semanas antes de iniciar os cortes definitivos, para que se adapte às condições locais.
UMC alvo: mantenha as madeiras entre 8–12% de umidade para estabilidade dimensional.
Aclimatação: deixe as peças repousarem na oficina por alguns dias/semanas após chegar ao ambiente antes de qualquer desbaste fino. Variações bruscas ≥5% de UR podem causar empeno.
Grã & corte: para tampo/fundo, prefira corte radial (quartersawn) com veios retos e regulares; evite nó solto, pith e bolsas de resina. Para faixas, tangencial é aceitável com controle.
Violão clássico: tampo em abeto/cedro com rigidez alta e baixo peso; anéis regulares (±1–2 mm) e tap tone com boa sustentação. Fundo/laterais: palosanto, mogno, maple, imbuia, jacaranda, etc
Viola caipira: priorize tampo um pouco mais “vivo” (boa rigidez longitudinal) para lidar com a tensão de 10 cordas; selecione fundo/laterais estáveis (mogno, imbuia, jacaranda, pau-ferro etc.).
Cavaquinho/Ukulele: corpos menores favorecem tampo leve e homogêneo; espessuras finais tendem a ser menores, então evite peças com densidade/rigidez muito discrepantes. Ex.: abeto, cedro, marupa.
Há duas coisas importantes nessa etapa: comprar as madeiras para seu projeto já rusticamente cortadas, aparelhadas e usinadas ou realizar toda as etapas da busca por madeiras para cada peça e realizar todo o preparo. Independentemente da opção escolhida, é importante observar o plano técnico do instrumento para adquirir a madeira adequada semipronta ou buscar pela madeira bruta.
Importante observar:
A partir dos planos técnicos do instrumento que estiver construindo, marque cuidadosamente todas as medidas referentes a cada componente: tampo, fundo, laterais, braço, reforços, varetas, espelho e faixas.
Os cortes brutos (blanks) devem sempre ser feitos com margens de sobra, permitindo ajustes finos nas etapas posteriores. Essa sobra é fundamental para corrigir eventuais desvios e obter precisão na fase final de usinagem.
Cuidados no corte dos blanks
- Alinhamento dos veios: corte as peças respeitando o sentido das fibras da madeira, evitando desperdícios e aproveitando melhor a resistência estrutural.
- Integridade da madeira: descarte regiões com nós soltos, rachaduras, fendas, bolsas de resina ou outras imperfeições visíveis, especialmente nas áreas críticas (tampo e fundo).
- Ferramentas: utilize serra fita bem regulada ou serrote de precisão. Lâminas afiadas e esquadros confiáveis garantem cortes retos, simétricos e sem queima das fibras.
- Simetria no bookmatch: no caso de tampo e fundo em duas peças, faça cortes de modo que a abertura em “livro” (bookmatch) preserve a continuidade estética e acústica do veio.
- Margens adequadas: deixe de 5 a 10 mm de sobra em cada lado. Essa folga permite correções durante a planagem e evita perda de medidas úteis.
Sobra técnica: deixe 5–10 mm de margem em cada lado do blank. Isso dá folga para retificar esquadros e corrigir eventuais tensões liberadas após o primeiro corte.
Bookmatch: para tampo e fundo, mantenha a abertura “em livro” alinhando o desenho dos veios. Marque topo/cauda nas duas metades para não inverter durante o preparo.
Sentido do veio: sempre respeite a orientação das fibras. Evite colocar defeitos (nós, fendas) em zonas críticas (ponte, barras, junção central).
Ferramentas & segurança: lâmina afiada, guia paralela confiável e avanço constante evitam queima e arrancamento. Remova rebarbas antes de medir/marcar novamente.
Violão clássico: mantenha largura e comprimento dos blanks compatíveis com seu molde (Hauser/Torres). Garanta espaço para a área do cavalete e boca conforme a escala.
Viola caipira: verifique o blank do tampo para a posição do cavalete típico da viola e a largura da caixa. Preveja reforços extras, se seu projeto assim exigir.
Cavaquinho/Ukulele: blanks menores exigem precisão na marcação de centro e paralelos. Mantenha esquadro perfeito para minimizar retrabalho na fase de moldagem.
Registro e orientação das fibras
Lembre-se de marcar, com lápis ou giz de cera, o sentido das fibras em cada peça. No tampo e no fundo, essa orientação é determinante para a resposta acústica e para a estabilidade da colagem. O correto alinhamento do veio garante não apenas a estética visual, mas também a eficiência vibratória da madeira.Esquema Técnico
2) Braço / Taco Espanhol & Encaixe do Braço
Tradicionalmente, procura-se utilizar uma peça única para a confecção do braço, incluindo a mão/cabeça (headstock) e o tróculo (taco espanhol). Uma prática bastante recomendada é adicionar um reforço central de madeira dura, que aumenta a estabilidade estrutural e reduz a possibilidade de empeno ao longo do tempo.
As madeiras mais utilizadas para o braço são cedro, mogno ou cinnamon. Para reforço central, usam-se espécies de alta densidade, como ipê, ébano ou pau-ferro.
Preparação do material
- Madeira principal: cedro ou mogno em peça única de aproximadamente 1000 mm × 80 mm × 25 mm.
- Reforço central (opcional): tira de ipê, ébano ou pau-ferro, com 6–8 mm de espessura, bem calibrada e com faces paralelas.
- Inspeção: ausência de nós, trincas, rachaduras ou torções visíveis.
- Orientação da grã: sempre longitudinal, garantindo resistência e resposta acústica adequadas.
Dimensões aproximadas do braço bruto de violão clássico: 620 mm × 80 mm × 20 mm. Para o tróculo (salto), recomenda-se cerca de 300 mm × 80 mm × 25 mm, razão pela qual uma peça de 1000 mm × 80 mm × 25 mm costuma ser suficiente para o conjunto completo.
Caso não seja possível obter tudo de uma peça única, o tróculo pode ser construído com blocos colados: por exemplo, quatro peças de 25 mm ou duas peças de 50 mm de espessura.
Procedimento — peça única
- Utilize a própria peça do braço para formar o taco/tróculo, planejando o comprimento total (aprox. 1 m). Essa medida cobre braço, mão/cabeça e tróculo de uma só peça.
- Esquadreje a peça, deixando todas as superfícies planas, retas e a 90°. Utilize plaina, serrote, serra fita ou serra circular. O objetivo é preparar a peça para receber marcações e cortes posteriores.
Procedimento — peça com reforço central
- Marque a linha central e corte a peça ao meio com serrote ou serra circular, seguindo fielmente a guia.
- Prepare a tira de reforço (espinha dorsal) com madeira dura, 6–8 mm de espessura, bem calibrada.
- Planie e lixe com precisão as superfícies internas, garantindo contato perfeito. Use régua de alumínio e esquadros para checar planicidade e ângulos.
- Colagem: aplique cola de forma uniforme, junte as três partes (metades + reforço) e pressione com grampos ao longo de toda a peça. Utilize sarrafos de proteção para evitar marcas.
- Após 24 h de cura, retire os grampos, remova excessos de cola e calibre novamente a superfície, deixando-a pronta para os cortes subsequentes.
Reserva para a mão (headstock): deixe material extra para o corte a ~15° e a colagem/encaixe da mão. Planeje no bruto pelo menos +40 mm além do comprimento útil do braço.
Reforço central: 6–8 mm de espessura, fibras longitudinais e boa estabilidade dimensional. Prefira densidade alta (ipê, ébano, pau-ferro) e ajuste perfeito das faces para colagem sem folgas.
Orientação da grã: mantenha a grã paralela ao eixo do braço. Evite “runout” pronunciado, que reduz resistência e pode favorecer empenos.
Violão clássico: alvo típico para o braço bruto: 620 × 80 × 20 mm, pensando em escalope posterior e reforços locais (ex.: região da pestana e tróculo).
Viola Caipira: madeira de cedro ou mogno, pode ser feita em peça única de aproximadamente 1000 mm × 80 mm × 25 mm. Recomenda-se usar reforço central de ipê, ébano ou pau-ferro, com 6–8 mm de espessura, bem calibrada e com faces paralelas.
Cavaquinho/Ukulele: ajuste as dimensões brutas às escalas menores e ao número de cordas. Segere-se madeira de cedro ou mogno, que pode ser feito em peça única de aproximadamente 800 mm × 80 mm × 20 mm. Mesmo assim, sempre mantenha reserva suficiente para esquadrejamento e correções.
O corte e a colagem do headstock com inclinação são etapas críticas na construção de instrumentos de corda dedilhada, como violões, violas e cavaquinhos. O ângulo garante a pressão ideal das cordas sobre a pestana (nut), influenciando diretamente a estabilidade da afinação e o sustain.
📐 Justificativa do ângulo
- O ângulo de 15° é considerado padrão em instrumentos clássicos e acústicos.
- Garante pressão adequada das cordas sobre a pestana, evitando trastejamento.
- Melhora a transmissão da vibração das cordas para o braço e corpo.
- Permite estabilidade maior de afinação ao longo do tempo.
- Variações entre 13° e 16° são aceitáveis, dependendo do projeto (ex.: violão clássico, guitarra acústica ou elétrica).
Passo a passo
- Garanta que a face superior e uma lateral do bloco do braço estejam esquadrejadas (90°).
- Posicione o transferidor com a base paralela e encostada à lateral do bloco (essa lateral é sua referência de 0°).
- Marque 15° em relação a essa lateral, no sentido do headstock. Faça dois pontinhos (início e fim) para guiar a régua.
- Com régua, una os pontos e prolongue a linha de corte em toda a largura da peça.
- Corte seguindo a linha (serrote de precisão, serra-fita ou circular com gabarito), mantendo a ferramenta bem aprumada.
- Ajuste fino do plano de corte com plaina/raspilha sobre superfície de referência.
Dica: a linha central do braço é útil para conferir simetria geral, mas a marcação do ângulo faz-se em relação à lateral esquadrejada (não à linha central).
💡 Resumo do corte:
- Marque o ângulo de 15° a partir da lateral esquadrejada do bloco e trace a linha de corte.
- Use serrote de precisão ou serra‑fita bem regulada, mantendo o plano limpo e reto.
- Após o corte, confira o esquadro e ajuste com plaina fina sobre superfície de referência.
Ângulo & reserva: use 15° como padrão (13–16° aceitável). Deixe reserva para a mão (headstock) e para esquadrejamento.
Após o corte inclinado do headstock (scarf), é fundamental retificar as duas faces do chanfro para obter planicidade e coplanaridade perfeitas. Isso garante contato integral na colagem e alinhamento correto do conjunto.
Método 1: Passo a passo
- Com um esquadro, trace linhas de referência no início (parte mais fina) e no fim (parte mais espessa) do chanfro. Faça isso nas duas peças (corpo do braço e mão).
- Fixe a peça na bancada para lixar com segurança (use mordentes/protetores).
- O objetivo é aplainar a face até “tocar” as linhas de referência, sem ultrapassá-las.
- Lixe com taco (lixa grão 60–80 para remoção; finalize em 120–150) até que a superfície encoste nas duas linhas nos extremos do chanfro.
- Faça um teste a seco, encostando as peças nos planos de colagem para verificar se estão planas e com bom encaixe.
O melhor método de retificação
- Fixe lixa de grão 80 sobre a superfície plana — grão mais grosso para as primeiras passadas, quando há mais material a remover
- Apoie a face sobre a lixa e trabalhe em movimentos circulares, com pressão uniforme em toda a superfície — sem concentrar força no centro (cria convexidade) nem nas bordas (cria concavidade)
- Verifique com régua após cada série de movimentos — apoie a régua na face e observe contra a luz. Qualquer folga indica ponto alto que ainda precisa de remoção
- Use giz de alfaiate para monitorar o progresso: cubra a face com giz antes de lixar — o giz desaparece primeiro nos pontos mais altos, indicando exatamente onde trabalhar
- Passe para grão 120 quando a planicidade estiver próxima — o grão mais fino refina a superfície sem remover mais material do que o necessário
- Finalize em grão 150 — a textura deixada por esse grão é ideal para ancoragem da cola. Não vá além: faces muito lisas (grão 220 ou mais) reduzem a aderência da cola alifática
- Repita o processo na segunda face com o mesmo rigor
- Teste final contra a luz: encoste as duas faces e verifique — nenhuma luz visível em nenhum ponto
Outras maneiras de realizar a etapa
- Use lixadeira de cinta/orbital com passadas controladas para não ultrapassar a marca. Se passar da linha, refaça a marcação e corrija o plano.
- Uma plaina manual bem afiada em superfície de referência dá ótimo controle de planicidade.
Referência de planicidade: cheque com régua metálica e luz rasante. Não deve passar luz entre régua e peça.
Perpendicularidade local: confira com esquadro em 3 pontos ao longo do chanfro.
Acabamento para colagem: finalize em grão 120–150 para boa ancoragem da cola (alifática tipo Titebond Original).
O que fazer antes de colar?
- Faça um ensaio a seco (sem cola) e repita para garantir alinhamento e sequência.
- Prepare a bancada:
- Separe grampos suficientes e tacos de proteção (cunha ≈15°).
- Tenha cola, pincel e papel antiaderente à mão.
- Organize a ordem de aperto (centro → bordas).
Passo a passo
- Verifique o encaixe e o posicionamento (linha central coincidente).
- Confirme planos e ângulos com esquadro; ajuste se necessário.
- Crie micro-riscos com lixa grão 36–60 cruzando as fibras nas superfícies de junção.
- Ranhure levemente com furador para aumentar a ancoragem.
- Aplique cola apenas em uma face, filme fino e contínuo.
- Grampos por instrumento: 3–4 grampos + tacos em cunha 15° 4–5 grampos + tacos longos (distribuição melhor) 2–3 grampos; evite excesso de pressão 2–3 grampos; posicione rápido para não escorregar.
- Pressione do centro para as bordas, mantendo a linha de centro.
- Remova excesso de cola ainda úmida; confira “creep” após 10–15 min e reaperte se preciso.
- Deixe curar por 12–24 h em ambiente estável.
Tacos em cunha: angule os tacos (~15°) e use papel antiaderente para não colar nos tacos.
Pressão & alinhamento: aperto progressivo (centro → bordas); confirme a linha central após prensar.
Cola: alifática (ex.: Titebond Original), filme fino; limpe escorridos. Cura: 12–24 h.
O tróculo (taco espanhol) pode ser confeccionado com sobras do próprio braço ou com blocos separados da mesma madeira. Ele integra o corpo ao braço de forma permanente.
Medidas recomendadas
- Altura total (bloco + braço na região da cabeça): 95–105 mm 90–100 mm 85–90 mm 65–70 mm
- Largura: igual à do braço bruto (conforme o instrumento).
- Comprimento: ~100 - 150 mm (dividido entre tróculo externo e interno; consulte os moldes).
Construção
- Planeje os cortes para reaproveitar três seções de ~25 mm de espessura. Juntas ao braço (~25 mm) somam ~100 mm.
- Em instrumentos com altura maior na culatra, adicione bloco(s) extra(s) para atingir a cota.
- Como o fundo geralmente é abaulado, a altura do bloco do tróculo deve ser maior que a altura frontal das faixas. Ex.: se as faixas na frente têm 95 mm, deixe o conjunto tróculo+braço com ~105 mm para permitir o chanfro posterior que ajusta a curvatura do fundo.
Posicionamento
- Use o molde do braço para marcar pestana e início do tróculo. Cole o bloco com sobras que permitam a pré-usinagem sem risco de faltar material.
- Na pré-usinagem, marque exatamente a linha de junção do tróculo com a caixa acústica (de acordo com o molde/modelo).
Sobra para o fundo abaulado: deixe o conjunto ~10 mm mais alto que as faixas na frente para chanfrar e casar a curvatura do fundo.
Posicionamento: marque nut, início do tróculo e linha de junção com a caixa. Cole com sobras para pré-usinagem.
Observação: esta etapa pode ser feita simultaneamente à colagem do headstock.
AVISO IMPORTANTE: Ensaie a colagem, preparando todo o material necessário!
- Lixe contra as fibras (riscos com lixa grão 36) em todas as partes que serão unidas. Para melhorar a aderência, ranhure levemente as faces com prego ou furador.
- Passe cola somente em uma das faces. Use pincel, retire excessos e una os blocos ao braço.
- Alinhe cuidadosamente as peças, garantindo simetria e ângulo correto (linha central coincidente).
- Use grampos com protetores (tacos) e distribua a pressão uniformemente.
- Deixe curar por no mínimo 12 h antes de manusear ou realizar novos cortes.
Violão clássico: use 3–4 grampos (centro + bordas). Confirme esquadro a 90° no conjunto e mantenha a linha de centro contínua braço↔tróculo durante a prensagem.
Viola caipira (10 cordas): 4–5 grampos e tacos mais longos para distribuir melhor a pressão. Verifique “creep” aos 10–15 min e reaperte se necessário (tensão total futura é maior).
Cavaquinho: normalmente 2–3 grampos bastam; evite excesso de pressão para não espremer toda a cola. Confira paralelismo nas faces estreitas do bloco.
Ukulele: superfícies menores exigem posicionamento rápido; 2–3 grampos com tacos firmes já resolvem. Garanta que não haja escorregamento ao começar a apertar.
Ensaio a seco: monte tudo (tacos/grampos) antes; ajuste sequência e pressão.
Filme de cola: camada fina, contínua e uniforme; remova o excesso ainda úmido.
Proteção: use papel antiaderente entre peça e tacos. Aperto do centro para as bordas.
Cura: 12–24 h em ambiente estável; após a cura, raspe escorridos e replane faces se preciso.
Comprar uma soleta pronta ou fabricar a sua?
Você pode comprar soletas prontas em lojas especializadas ou fabricar a sua com acabamento de marchetaria. A soleta pode ser uma chapa simples de madeira, harmonizada com o projeto, ou um trabalho decorativo mais elaborado.
- Definir o desenho: escolha o padrão do adorno central (filetes). É aconselhável repetir o motivo do adorno central do fundo para coerência visual. Espessura final da capa: 2,5–3,0 mm.
- Metades simétricas: corte duas peças espelhadas (bookmatch). Trace duas linhas de referência para garantir a simetria do veio em relação à linha central do braço.
- Adorno central: cole a tira decorativa entre as metades, mantendo o padrão centrado (use fita/grampos ou amarração com tacos). Deixe curar 8–12 h.
- Nivelar uma face: após a cura, use raspilha (scraper) ou vidro plano; finalize com lixa grão 40–80 até obter uma face perfeitamente plana (esta ficará voltada para a mão).
- Chapas de realce (opcional): cole chapinhas de cor na face posterior (a que ficará colada na mão), ex.: branco/preto/branco. Comprima com placas + peso e depois prense com tacos e sargentos. Use fita crepe para evitar deslizamento.
- Cura e limpeza: aguarde a cura, remova escorridos e replane as faces até a espessura-alvo, mantendo o adorno central alinhado.
- Pré-colagem: verifique paralelismo e simetria; quebre levemente arestas com lixa fina.
Colagem da soleta (headplate) no headstock
Observação: alguns luthiers colam a soleta avançando ~3 mm sobre a área do nut para permitir acerto posterior a 90°. Outros já preparam a soleta com o esquadro final e colam diretamente “no lugar”.
- Esquadreje a superfície do headstock (plaina, formão, tacos de lixa ou lixadeira). Uma ferramenta só, bem usada, é suficiente.
- Com a face plana, crie micro-riscos (lixa 36–40) cruzando as fibras nas áreas de colagem.
- Faça ranhuras leves com furador para melhorar a fixação.
- Aplique cola alifática (ex.: Titebond) apenas em um dos lados e alinhe pela linha central.
- Use grampos com proteção (tacos de madeira) para não marcar a peça.
- Tempo de cura: mínimo 4 h (ideal 8–12 h).
Violão clássico: soleta em ébano/pau-ferro; 2,5–3,0 mm. Combine com a roseta. Em headstock vazado (3+3), confira folgas dos rasgos antes da colagem.
Viola caipira: madeira densa/estável; pode subir para 2,8–3,2 mm. Reforce bordas dos rasgos pela maior tensão total.
Cavaquinho: prefira leve: 2,0–2,5 mm. Cheque diâmetro das buchas para não invadir o filete central, se tiver.
Ukulele: massa no head pesa no equilíbrio; 1,8–2,4 mm se o projeto permitir. Atenção à posição das tarraxas.
Espessura alvo: 2,5–3,0 mm. Deixe folga para nivelar após a colagem.
Simetria do veio: bookmatch e adorno central alinhado à linha de centro.
Superfícies: headstock plano; riscos cruzados (40–80) e ranhuras leves para ancoragem.
Prensagem: tacos planos + papel antiaderente; pressão do centro para as bordas.
Nut opcional: avançar ~3 mm e acertar a 90° depois.
Objetivo: deixar a base plana e perpendicular às laterais, sem torções.
Com as colagens concluídas, esquadreje o braço. A base precisa estar perpendicular às laterais para garantir alinhamento ideal com o corpo e com a escala.
- Use régua de aço e esquadro de precisão para conferência constante.
- Ferramentas úteis: plaina manual, desengrossadeira, serra fita/circular e tacos de lixa em superfície de referência.
- Largura bruta do blank (checagem rápida): 80–85 mm 75–80 mm 60–65 mm 50–55 mm. Espessura bruta típica: 20–25 mm (todos).
Como fazer?
- Com o conjunto bem curado, crie uma face de referência perfeitamente plana (R1) — plaina manual em superfície de referência ou passada leve na desempenadeira.
- Paralelize a face oposta copiando R1 (R2) — desengrossadeira ou gabarito de lixa plano.
- Esquadreje as laterais a 90° em relação à base; confira o esquadro em 3 pontos ao longo do braço.
- Verifique torção (twist) com duas réguas (winding sticks) e luz rasante; não deve haver diferença de altura entre as réguas.
Sequência segura: R1 (face referência) → R2 (paralela) → laterais a 90° → checagem de torção.
Leve é melhor: removas finas e conferências frequentes evitam “comer” demais e perder esquadro.
Controle visual: giz de alfaiate nas áreas altas + luz rasante; pare quando o giz sumir uniformemente.
Objetivo: fazer todos os riscos de referência no braço, mão (headstock) e tróculo.
Depois de esquadrejado, utilize o molde do braço do instrumento (papel ou acrílico).
- Trace a linha central desde o início da mão até o final do braço: é a referência principal para o encaixe do braço à caixa de ressonância.
- Importante: marque a linha central em ambos os lados (mão/headstock, braço e tróculo) e garanta que coincidam.
- Defina a localização do traste 12, onde serão abertos os slots para acomodar as laterais.
Como localizar o traste 12?
- O traste 12 está exatamente na metade da escala. Ex.: escala 650 mm → traste 12 a 325 mm a partir do nut/pestana (ou traste zero).
- Mesmo usando moldes, meça e confirme o ponto do traste 12 (moldes/planta costumam trazer essa marca).
- No ponto exato do traste 12, trace uma linha a 90° em relação ao topo do braço (escala). Essa linha guiará o corte dos encaixes das laterais.
Após traçar a linha central e o traste 12
- Posicione o molde lateralmente ao braço, ajustando a referência inicial no traste zero (nut/pestana), perpendicular.
- Segure firme e risque o contorno do molde no braço.
- No tróculo, desenhe o contorno de acordo com o molde para definir a geometria de encaixe.
No tróculo
- Risque todas as faces de acordo com o molde; a linha central deve circundar o tróculo para garantir o alinhamento do conjunto.
- Risque o “pezinho” do tróculo conforme o modelo escolhido.
- Importante: projete na face inferior do tróculo a continuidade do encaixe das laterais, deixando um espaço de 12 mm (o “pescoço” do tróculo). As faixas laterais entram pelos slots na posição do traste 12 e encostam no pescoço, onde serão estabilizadas e coladas.
Violão clássico: headstock 3+3 — confirme o eixo da roldana central com a linha de centro. Mantenha a linha do traste 12 rigorosamente a 90°: ela guiará os slots das laterais.
Viola caipira (10c): verifique simetria dos rasgos/folgas no headstock; ao marcar o traste 12, preveja a maior tensão total e mantenha o pezinho do tróculo bem centrado.
Cavaquinho: braço mais estreito pede marcações curtas e precisas. Garanta perpendicularidade perfeita no traste 12 para não “puxar” o alinhamento da escala curta.
Ukulele: escolha o padrão (2+2 ou inline) antes de riscar. Em escalas menores, a tolerância angular no traste 12 é ainda mais crítica.
Linha central contínua: envolva a peça (topo, laterais e tróculo) para ter referência em todos os planos.
Traste 12: fica em metade da escala. Marque a linha a 90° em relação ao topo (escala) — essa linha é a referência dos slots das laterais.
Tróculo: reserve o “pescoço” de ~12 mm na face inferior; as laterais encostam nele.
Após colagens e esquadrejamento, é hora de utilizar moldes conforme o instrumento e o modelo em construção.
Antes de mais nada
Trace a linha central (base do alinhamento). Use régua de precisão e/ou paquímetro para determinar os pontos centrais do braço e da mão.
Layout da mão / tarraxas: Violão: Headstock Vazado (Slotted Headstock): Possui fendas (slots) onde as cordas passam, com as tarraxas posicionadas lateralmente. É o padrão tradicional dos violões de nylon (clássicos) e também aparece em alguns modelos de aço inspirados em designs antigos.vazado 3+3 (slots) ou Headstock Maciço (Solid Headstock): As tarraxas são inseridas por trás ou fixadas na face da mão. É o modelo mais comum em violões de aço modernos headstock vazado 5+5 (slots). Porém, algumas violas caipiras possuem headstock maciço. 2+2 vazado é comum em cavaquinhos. Mas, utiliza-se também headstock maciço. Nesse caso, confirme diâmetro das buchas/ilhós antes dos furos. 2+2 sólido ou inline 4; defina antes do risco para não interferir no filete central.
Modelagem da mão (headstock)
- Alinhe o molde (papel, acrílico etc.) com a linha central e com a posição da pestana (nut).
- Risque o contorno da mão e de seus slots (se houver).
- Recorte a silhueta com serrinha tico-tico, serrote ou formão. Preferencialmente, finalize com tupia usando fresa com rolamento superior (seguindo o molde).
Uso da tupia
- Fresa com comprimento ao menos igual à espessura do headstock e rolamento superior.
- Molde com espessura mínima de 3 mm (acrílico/MDF); fixação por fita dupla-face forte ou grampos fora da linha de corte.
- Sentido de avanço: avance contra a rotação (passadas curtas; sem “tiro ascendente”).
Slots: abra primeiro com serra/fresa estreita e finalize a parede com lima/raspilha; preserve raio interno.
Head sólido: fure-piloto com broca curta; depois passe à medida. Teste buchas/ilhós antes do acabamento.
Molde limpo: qualquer rebarba no molde vira “defeito copiado”. Lixe bordas do molde antes.
Passes leves: melhor 2–3 passadas rasas do que uma pesada. Evita lascas no sentido contrário da fibra.
Proteção do filete central: mantenha a linha de centro visível até o final; não deixe furo invadir o adorno.
Antes de começar os cortes
Revise ou refaça os riscos conforme o modelo da mão do instrumento. Use molde (papel, papelão, acrílico ou outro material rígido) como guia para a silhueta e, se for o caso, os slots.
Recortar e furar a mão (headstock) vazado para as tarrachas
- Posicionamento: alinhe o conjunto de tarrachas à linha central e à referência do nut.
- Layout por instrumento: headstock vazado 3+3 (sem furos para eixos; concentre-se nos slots e nos furos-piloto dos parafusos das placas). headstock sólido 2+2 (furos para eixos das tarraxas; siga gabarito do fabricante).
- Linhas-guia: mantenha a linha central visível e trace uma linha paralela à borda da soleta para orientar furos/slots.
- Marcação: marque os contornos dos slots e os furos-piloto dos parafusos das placas. marque os centros dos eixos conforme gabarito. Distância típica entre eixos em conjuntos 2+2/inline é 35 mm (pode variar; confira o “Guia de Tarrachas”).
- Furação inicial: apenas furos-piloto dos parafusos: broca 1.5–2.0 mm; profundidade menor que o parafuso. furos para eixos: broca de acordo com a especificação (geralmente 8–10 mm); use fita como batente de profundidade e fure a 90° com a peça bem fixada.
- Slots (se houver): fure em sequência ao longo do contorno, deixando cerca de 3 mm entre furos para guiar a serra/grosa; una os furos e refine as paredes com lima/raspilha.
- Acabamento: defina a inclinação perto do nut conforme planta; quebre arestas e lixe em progressão, evitando astilhas.
- Alternativas:
- Furadeira de coluna para precisão e paralelismo.
- Tupia com fresa e rolamento superior para copiar o molde após furação/recorte.
Slots 3+3: preserve raio interno (sem cantos vivos) e mantenha simetria. Abra, depois refine as paredes.
Head sólido: faça furo-piloto curto, depois à medida. Teste as buchas/ilhós antes do acabamento.
Contra-fibra: use madeira de sacrifício no lado de saída para evitar “estouro” da fibra.
Gabarito do fabricante: priorize as medidas do seu conjunto de tarrachas (furos, espaçamentos, parafusos).
Após riscar o braço com precisão, prepare o tróculo para uni-lo à caixa. No método espanhol, tróculo externo e interno formam uma única peça integrada ao corpo.
No método americano, a construção difere do espanhol porque a parte interna não é integrada ao tróculo externo. Em vez disso, ela é confeccionada separadamente e depois unida por encaixes de precisão, como o rabo de andorinha ou outros sistemas de união tradicionais.
Abordagem no Método Baratieri
No método Baratieri, o tróculo é construído como uma peça única, com o tróculo externo e interno formando uma única peça integrada ao corpo, conforme segue:
Abrir os slots laterais no tróculo (traste 12)
Para violão clássico (escala 650 mm), o 12º traste fica exatamente na metade (325 mm a partir da pestana) e coincide com o início do corpo. Para outros modelos, calcule ou use o gabarito correspondente.
- Nesta altura, o braço deve estar perfeitamente esquadrejado e riscado. Abra os slots laterais onde as faixas se encaixam, exatamente sobre a linha do traste 12. Para fazer isso, pode usar o serrote, cortando exatamente sobre a linha do traste 12 e aprofundando o corte até o limite do pescoço do tróculo. Ou, usar a serra circular, ajustando a altura para alcançar a profundidade até o limite do pescoço.
- Profundidade (até o “pescoço” do tróculo): ~6 mm a partir da linha central em cada lado (ou seja, a largura total do pescoço será de aproximadamene ≈ 12 mm).
- Espessura do slot (≈ 2× espessura da faixa + 1 mm): faixas 2.0–2.5 mm → slot ~4.5–5.5 mm faixas 2.2–2.6 mm → slot ~5.0–6.0 mm faixas 1.8–2.2 mm → slot ~4.0–4.8 mm faixas 1.6–2.0 mm → slot ~3.6–4.4 mm.
- Mantenha a ferramenta aprumada, com cortes retos e precisos; faça passes leves e simétricos.
Por que abrir os slots laterais no tróculo em espessurar maior que a faixa?
- Ao abrir os slots laterais no tróculo em espessurar maior que a faixa, estamos criando um espaço extra para a faixa se encaixar e a sobra será preenchida com cunhas de madeira e cola, permitindo um encaixe mais firme e seguro.
Método alternativo (serra circular)
- Ajuste a altura para alcançar a profundidade até o limite do pescoço.
- Com o braço esquadrejado, use guia paralela/ gabarito e corte exatamente sobre a linha do 12º.
- Se o kerf (largura de corte) da serra for menor que o slot necessário, faça duas passadas controladas.
Pré-usinagem do tróculo
- Inicie a moldagem bruta do tróculo externo; preservando a linha central visível.
- O tróculo interno (parte que entra na caixa) deve ser completamente usinado agora, conforme o molde.
- Ferramentas: formões afiados, facas de entalhe, grosas, limas, lixas grossas e, se disponível, lixadeira de cilindro.
- Lixamento progressivo: 80 → 120 → 220 → 400.
Dica de segurança: fixe muito bem a peça; óculos de proteção; remova material em etapas curtas.
Violão clássico: confirme 650 mm na escala (12º em 325 mm). Slots um pouco folgados facilitam assentamento e cola.
Viola caipira: tensão total maior: priorize paredes de slot bem paralelas e apoio pleno no pescoço.
Cavaquinho: faixas mais finas: atenção para não ultrapassar a profundidade; suporte firme evita vibração no corte.
Ukulele: escalas curtas pedem marcação precisa do 12º; ajuste fino da largura do slot reduz folgas.
Simetria: corte ambos os slots em etapas alternadas (esq/direita) para manter o alinhamento.
Acabamento das paredes: refine com lima/raspilha até encosto perfeito das faixas; sem afrouxos.
Teste a seco: verifique encaixe das faixas “a seco” antes da colagem da caixa.
3) Tampo
Contexto do Projeto
Instrumento, cordas, leque e escala do projeto atual.
Objetivo
Obter uma emenda perfeita (bookmatch) das duas metades do tampo, com junção sem frestas e fibras bem alinhadas, garantindo máxima rigidez específica e estabilidade dimensional.
Procedimento recomendado
- Orientação e marcação: defina a face externa e verifique se o corte é radial (anéis de crescimento perpendiculares à face). Marque topo e cauda das peças para não inverter durante o ajuste. As duas metades devem ser abertas como “um livro” (bookmatch), garantindo simetria do desenho das fibras.
- Preparação inicial: fixe as duas peças lado a lado, unidas provisoriamente por uma régua de alumínio (“regle”) ou barra reta, com sargentos. Isso mantém o conjunto estável durante a retífica.
- Plaina ou lixa longa: use plaina bem afiada sobre shooting board a 90°; em alternativa, utilize uma prancha longa com lixa de grão 60–80, garantindo passadas por toda a extensão sem “cavar” nas extremidades. Mantenha a ferramenta paralela, sem inclinar.
- Controle de planicidade: utilize régua de precisão para verificar a linearidade da aresta. Em seguida, teste à contraluz unindo as metades: se passar luz, repita até obter contato uniforme.
- Acabamento da aresta: remova fiapos com raspilha fina. Fibras soltas falseiam a leitura da união.
- Ensaio a seco: posicione as metades na base de colagem, com tacos-guia e papel manteiga antiaderente. Confirme alinhamento e planicidade antes da cola.
Cavaquinho: corpo menor; controle ainda mais rigoroso da planicidade — pequenas folgas impactam mais.
Ukulele: corpo menor; controle ainda mais rigoroso da planicidade — pequenas folgas impactam mais.
Violão/Viola: junções longas: prefira shooting board longa e passadas alternadas.
Objetivo
Unir as duas metades do tampo com pressão firme e homogênea, obtendo uma junta sólida, simétrica e sem frestas.
Método da prensa de cunha
- Monte uma base firme e plana, fixando uma régua de madeira a 90° em uma das extremidades.
- Posicione as metades do tampo com a emenda ajustada, encostando na régua fixa.
- No lado oposto, utilize uma cunha móvel para pressionar o conjunto até que a união fique firme.
- Proteja a base com papel manteiga ou kraft encerado para evitar que a cola grude na superfície.
- Após a cura (mínimo 12 horas), use raspilha ou plaina fina para limpar a superfície da emenda.
Método da corda (universal)
- Prepare duas ripas de madeira retas, um pouco mais longas que a largura do tampo.
- Coloque papel entre as ripas e o tampo para evitar aderência indesejada da cola.
- Aplique cola uniforme em uma das arestas e una as metades.
- Com uma corda de 4 m aprox., faça um nó duplo em uma das extremidades e prenda em uma das ripas. Passe para a outra extremidade, tensionando bem, e vá enrolando de forma contínua.
- Mantenha a tensão da corda em cada volta; se necessário, use calços/tacos sob a corda para aumentar a pressão.
- Deixe secar 24 horas antes de retirar a amarração.
- Dica para peças não retangulares: una as duas ripas com travessas curtas para evitar deslocamentos. Alterne a passagem da corda de uma ripa para a outra, cruzando as voltas para estabilizar o conjunto.
Observação: após a colagem, se necessário, leve o tampo à desengrossadeira para uniformizar a espessura (~3 mm) antes das varetas.
Pressão moderada: use ripas mais estreitas no método da corda e evite excesso de tensão — tampo fino pode deformar.
Base plana: para junções longas, assegure uma base realmente plana para evitar torção na emenda.
Filme de cola: fino e contínuo; retire o excesso ainda úmido na superfície.
Proteção antiaderente: papel manteiga/kraft encerado sob o tampo e sob cunhas/ripas.
Raspagem: após a cura, raspilha na linha da emenda até ficar imperceptível ao tato e à contraluz.
Objetivo
Traçar e recortar a silhueta do tampo a partir da planta/molde, deixando uma margem de trabalho (um pouco maior que o contorno final) para prevenir danos no bordo e permitir ajustes finos nas etapas seguintes.
Procedimento recomendado
- Posicionamento do molde: sobreponha o molde no blank do tampo e centralize-a. Use peso leve ou grampos macios para mantê-la imóvel.
- Traçado aumentado: marque a silhueta com lápis afiado deixando um espaço extra (2–6 mm) ao redor para prevenção de danos durante o corte e eventual desbaste posterior. Uma arandela pequena pode ser usada como espaçador para obter largura uniforme do traçado aumentado.
- Recorte manual (fino): para contornos complexos use serra de marqueteria com lâmina apropriada (spiral/espiral é ideal para trabalhar em qualquer orientação). Faça cortes em trechos, “quebrando” o contorno para facilitar a adaptação à curva.
- Recorte semi-manual (seguro): para a maioria dos contornos recomendo usar um arco pequeno (coping saw), pois permite cortes suaves e controlados em trechos curvos pronunciados.
- Sequência prática: inicie pelo topo do tampo, avance em direção ao centro, volte a pontos anteriores conforme necessário e termine a parte traseira; repita o processo do outro lado para manter simetria.
- Ajuste e acabamento: após o recorte deixe o tampo um pouco maior do que o definitivo. As operações de aplainamento/raspagem/lixamento serão usadas mais tarde para chegar ao contorno final.
Métodos e ferramentas (resumo)
- Serras manuais: serra de marqueteria (lâmina espiral), serrote curvo (arco pequeno).
- Serras elétricas semimanual: serra tico-tico com lamina fina, serra de fita com lâmina fina.
- Acabamento: limas finas, raspilha, lixa em rolo para confeccionar lixa redonda (suporte de tecido), taco de lixa.
- Proteções: fita adesiva sobre a face externa para reduzir lascamentos; mantenha pequenas garras de aperto ou grampos com proteção de madeira.
Sequência sugerida
- Traçar com margem extra.
- Recortar preferencialmente em mentalidade "fragmentada" (pequenos trechos), deixando contorno final para lixa/raspagem.
- Conferir simetria: sobrepor as duas metades (se for bookmatch) e checar alinhamento.
- Finalizar contorno com lixa manual, taco rígido e, se desejar, lixa redonda caseira para o interior do soundhole.
Violão clássico: prefira lâminas finas e cortes em múltiplas passadas. Mantenha a margem maior nas zonas do ponte e boca.
Viola caipira: confirme a posição do cavalete e do reforço central antes do recorte final para evitar perda de material útil.
Cavaquinho / Ukulele: blanks menores exigem cuidado extra com lascamento; use fita e lâminas de dentes finos.
Margem de segurança: cortar um pouco maior e só ajustar a dimensão final após as operações de raspagem e aplainamento.
Proteção contra lascamento: aplique fita adesiva sobre o lado visível antes do corte e remova quando finalizar o acabamento.
Objetivo
A incrustação da roseta exige precisão absoluta, pois além de ser um dos elementos estéticos mais marcantes do instrumento, desempenha a função estrutural de blindar e reforçar as fibras periféricas da boca contra rachaduras.
Etapas
- Eixo e Centralização: Determine a linha de centro do tampo e marque o ponto exato da boca. Faça um furo-guia de 4 mm para ancorar o compasso de corte ou a base giratória da tupia.
- Delimitação do Canal: Com um compasso de lâmina ou fresa circular, marque os limites interno e externo. No método puramente manual, trace com grafite fino e faça o corte perimetral incisivo com estilete/cúter.
- Abertura do Canal:
- Usinagem com Tupia: Regule a profundidade da fresa para precisamente 1.5 mm, operando em passadas progressivas e finalizando os cantos com formão afiado.
- Escavação Manual: Aprofunde os contornos perimetrais com estilete e remova o material interno de forma controlada utilizando formões finos de fundo plano.
- Controle de Profundidade: Monitore a profundidade do rebaixo ao longo de toda a circunferência com um paquímetro ou bloco-gabarito calibrado em 1.5 mm.
- Colagem Estrutural: Aplique um filme fino e homogêneo de cola de alta aderência (como cola alifática) no canal, assente a roseta no sentido correto e remova imediatamente todo o excesso expelido.
- Prensagem Uniforme: Cubra a área com papel antiaderente (manteiga ou silicone) e use um caibro ou placa plana rígida sobreposta por grampos, mantendo a pressão constante por 24 h.
Espessura e Nível: Rosetas comerciais padrão costumam exigir um rebaixo exato de 1.5 mm. Caso utilize rosetas artesanais segmentadas de madeira (marchetaria livre), confira a espessura em múltiplos pontos antes de fresar.
Escala Reduzida: Em canais estreitos de cavaquinho ou ukulele, aplique a cola com um pincel fino para evitar excessos que possam inflar as fibras do tampo ou manchar madeiras claras como o abeto.
Estabilidade do Pivô: Garanta que o pino central de 4 mm esteja perfeitamente perpendicular e sem folgas no gabarito; qualquer oscilação resultará em anéis excêntricos ou ovalados.
Nivelamento Coplanar: Após a cura completa (24 h), utilize uma carretilha ou raspilha de luthier bem afiada para desbastar os excessos da roseta até que ela fique perfeitamente nivelada e coplanar ao tampo. Finalize com lixamento progressivo seco.
Objetivo
Ajustar a espessura do tampo após a colagem da roseta, deixando-o uniforme entre 2,0 e 2,8 mm — equilíbrio entre resistência e resposta sonora.
Procedimento recomendado
- Nivelamento da roseta: mesmo que esteja alinhada, repasse a região com plaina fina, raspilha ou bloco de lixa longa para evitar ressaltos.
- Desbaste progressivo:
- Mecânico: desengrossadeira, lixadeira de tambor ou de banda (grão P40–P60); mantenha a superfície plana.
- Manual: plaina bem afiada com regulagem mínima, passadas longas; finalize com raspilha/galga/vidro.
- Semimanual: lixadeira orbital/vibratória com controle cuidadoso para evitar “valas”.
- Controle de espessura: meça com paquímetro/calibrador em vários pontos. Trabalhe em 2,2–2,3 mm prevendo lixamento final que leva a ~2,0 mm.
- Ajustes sonoros: alguns reduzem levemente (≈1,8 mm) em áreas específicas (ex.: perto das barras ou sob cordas graves); outros mantêm 2,0 mm uniforme. Busque equilíbrio entre rigidez e projeção.
Violão/Viola: faixa típica 2,0–2,4 mm; trabalhe em ~2,2–2,3 mm e deixe margem para o acabamento.
Cavaquinho: 1,8–2,2 mm — resposta rápida, mas bracing precisa estar muito bem controlado.
Ukulele: 1,6–2,0 mm — ataque rápido; cuidado para não perder rigidez perto do cavalete.
Zona sensível: região da roseta e do furo tende a afinar mais rápido; checar com frequência.
Mapa de espessura: marque um grid no verso e registre leituras; corrige tendências antes do bracing.
Objetivo
Recortar a abertura da boca (soundhole) de forma limpa e precisa, respeitando a roseta já incrustada.
Procedimento recomendado
- Marcação: trace com compasso a circunferência interna da boca, centrada na roseta.
- Abertura manual: faça um furo inicial e utilize serra de arco ou marqueteria (serra de pelo) com calma para manter a circularidade.
- Abertura semimanual: use tupia com compasso de corte ou serra elétrica de arco, ajustando ao diâmetro correto.
- Acabamento do canto: refine a borda interna com lixas enroladas em suporte cilíndrico, limas ou raspilhas, do grão grosso ao fino até superfície regular.
Método alternativo: corte por pivô central (estilete)
Este método utiliza um ponto fixo no centro da boca e um braço giratório com lâmina, funcionando como um compasso de corte. Proporciona alta precisão e circularidade perfeita.
- Definição do centro: localize com exatidão o centro da boca (geralmente já definido pela roseta) e faça um furo fino e perpendicular ao tampo.
- Instalação do pivô: insira um pino metálico ou parafuso justo no furo, garantindo que fique firme e sem folga. Esse pino será o centro de giro do braço de corte e pode ser fixado numa base de madeira ou metal, de tamanho adequado para acomodar o tampo do instrumento.
- Preparação do braço de corte: utilize uma régua ou haste rígida, com um furo passante em uma extremidade e com um estilete bem afiado na outra extremidade. Ajuste a distância entre o pino e a lâmina conforme o raio da boca.
- Corte progressivo: gire o braço ao redor do pivô, realizando cortes leves e sucessivos. Evite forçar — aprofunde gradualmente até atravessar o tampo.
- Controle de profundidade: mantenha o estilete perpendicular à superfície e aumente a profundidade aos poucos para evitar lascas, especialmente na saída do corte.
- Acabamento: finalize a borda interna com lixa ou raspilha para uniformizar qualquer irregularidade mínima.
Erros comuns
- Forçar o corte de uma vez: causa lasca na roseta.
- Pivô com folga: círculo ovalado e perda de precisão.
- Lâmina cega: rasga as fibras ao invés de cortar.
Diâmetro interno típico: ~85 mm (ajuste à sua plantilla/planta). Refine com lixa cilíndrica em suporte rígido.
Bocas menores: ≈45–55 mm; faça furos pilotos pequenos e avance com serra de pelo para manter a circularidade.
Borda de apoio: deixe a abertura 3–4 mm menor que o anel interno da roseta para apoio uniforme.
Proteção: fita crepe sobre a roseta evita riscos; corte em passadas leves e simétricas.
Objetivo
Fixar o sistema de leque harmônico deste instrumento como referência antes de preparar barras e colar no tampo. A figura técnica e as notas abaixo acompanham o valor escolhido em Dados do projeto → Sistema de leque harmônico (e a escala do projeto, quando relevante).
Etapas
- Confirmar o projeto: em Dados do projeto, verifique instrumento, escala e sistema de leque (incluindo descrição/notas se for Custom).
- Usar esta etapa como “mapa”: compare a ilustração com o seu desenho ou planta; anote simetria, ordem das varetas e pontos críticos (boca, cavalete, extremidades).
- Planejar a execução: nas etapas seguintes (preparar barras e instalar), mantenha coerência com este padrão — alturas e comprimentos saem daqui para a solera e para o voicing fino.
Projeto: se o campo do leque estiver em “Selecione”, escolha o sistema em Dados do projeto para carregar a figura e os callouts específicos desta etapa.
Torres (abanico clássico)
Objetivo acústico: Som equilibrado e natural, com boa resposta dinâmica e projeção uniforme.
Visualização:
🔹 5 a 7 varetas dispostas em leque simétrico, partindo da região inferior da boca.
🔹 As varetas se abrem como “raios” de um sol, acompanhando o formato do tampo.
Madeira recomendada: Spruce (abeto) ou cedro leve.
Dimensões típicas: Altura inicial 5–6 mm · Largura 2–2,5 mm (antes do voicing).
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando progressivamente nas pontas.
Função acústica:
Distribuir vibração mantendo flexibilidade longitudinal e controle lateral — o tampo vibra livremente,
sem perder estabilidade.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Excesso de altura no centro → mata a resposta.
⚠️ Falta de simetria (> ±1 mm) → desequilíbrio entre graves e agudos.
💡 Faça leve alívio nas pontas para liberar o tampo e aumentar o sustain.
Como ouvir o resultado:
Uma batida seca no tampo e observe se o som “respira” — o tampo deve vibrar de forma uniforme, sem
áreas rígidas ou abafadas.
Hauser
Objetivo acústico: Som mais focado, com melhor separação de notas e projeção limpa.
Visualização:
🔹 Leque derivado do Torres, mas mais organizado e previsível.
🔹 Distribuição de massa controlada, especialmente sob o cavalete.
Dimensões típicas: Altura inicial ~4,5–5,5 mm · Largura 2–2,5 mm (antes do
voicing).
Perfil: Triangular ou arredondado, com afinação precisa nas pontas.
Função acústica:
Maior controle na região central do tampo, resultando em clareza e definição sonora.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Pequenas variações de altura impactam muito o resultado — sistema sensível ao voicing fino.
⚠️ Excesso de rigidez → som engessado.
💡 Trabalhe com paciência: afinação gradual das barras garante resposta refinada.
Como ouvir o resultado:
Toque escalas lentas e observe se cada nota soa distinta e clara, sem “embolar” nos médios.
Ramirez / derivados
Objetivo acústico: Mais volume e corpo, com graves presentes e projeção robusta.
Visualização:
🔹 Variações do leque clássico, geralmente com reforços adicionais.
🔹 Pode apresentar leve assimetria e maior massa estrutural na região do cavalete.
Dimensões típicas: Altura semelhante ao Torres (~5–6 mm), mas com reforços extras.
Largura 2–2,5 mm (antes do voicing).
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando nas pontas para compensar a massa
adicional.
Função acústica:
Proporcionar maior potência sonora e graves mais encorpados, mantendo estabilidade estrutural.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Excesso de rigidez pode “travar” o tampo e reduzir a resposta dinâmica.
⚠️ Massa extra sem alívio nas pontas → som pesado e sem brilho.
💡 Compense afinando bem as pontas das varetas para liberar vibração.
Como ouvir o resultado:
Toque acordes graves e observe se o som tem corpo e potência, mas ainda responde bem às variações de
ataque.
X‑Bracing
Objetivo acústico: Graves fortes, timbre mais “americano”, com maior rigidez estrutural.
Visualização:
🔹 Duas barras principais cruzadas formando um “X” logo abaixo da boca.
🔹 O ponto de cruzamento define o comportamento do tampo.
Madeira recomendada: Spruce mais rígido.
Dimensões típicas: Barras principais mais altas (~6–8 mm).
Perfil: Geralmente triangular ou arredondado, mantendo robustez.
Função acústica:
Aumentar rigidez estrutural e suportar maior tensão das cordas, garantindo estabilidade mesmo em uso
intenso.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Cruzamento mal posicionado → resposta irregular do tampo.
⚠️ Excesso de altura → som duro e pouco responsivo.
💡 Ajuste fino do ponto de cruzamento é essencial para equilibrar graves e médios.
Como ouvir o resultado:
Toque acordes graves e médios; o som deve ser encorpado e potente, sem perder clareza nas notas
individuais.
X adaptado (viola)
Objetivo acústico: Suportar maior tensão das múltiplas cordas sem perder resposta rápida.
Visualização:
🔹 Duas barras cruzadas em “X”, mas mais abertas que no violão aço.
🔹 Ajustadas para escala menor e características da viola caipira.
Dimensões típicas: Barras mais baixas que no violão (~4–5 mm).
Perfil: Triangular ou arredondado, mantendo leveza.
Função acústica:
Garantir rigidez suficiente sem engessar o tampo, preservando brilho e ataque característico.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Exagerar na rigidez → som perde brilho.
💡 Ajuste fino da abertura do “X” ajuda a equilibrar graves e agudos.
Como ouvir o resultado:
Toque ponteios rápidos e observe se o som responde com clareza e brilho imediato.
Leque 7 barras (viola)
Objetivo acústico: Distribuir melhor a tensão das cordas, oferecendo som mais equilibrado.
Visualização:
🔹 7 varetas em leque proporcionalmente mais aberto que no violão clássico.
🔹 Simetria importante para manter consistência sonora.
Dimensões típicas: Altura inicial ~4–5 mm.
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando nas pontas.
Função acústica:
Produzir som mais equilibrado e menos agressivo que o X adaptado, com bom corpo e sustain.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Pontas mal afinadas → som fechado e sem brilho.
💡 Controle fino nas pontas define o brilho final.
Como ouvir o resultado:
Toque acordes abertos e observe se o som se mantém cheio e equilibrado, sem perder agilidade.
Leque 3 barras (cavaquinho)
Objetivo acústico: Máxima resposta com mínima estrutura — ataque rápido e brilho intenso.
Visualização:
🔹 3 varetas em leque simples, partindo da região inferior da boca.
🔹 Estrutura leve para liberar vibração imediata.
Dimensões típicas: Altura inicial ~3–4 mm.
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando nas pontas.
Função acústica:
Produzir ataque rápido e timbre brilhante, com pouco sustain.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Qualquer excesso de cola ou massa muda o resultado.
💡 Trabalhe com precisão mínima para preservar a resposta viva.
Como ouvir o resultado:
Toque batidas rápidas e observe se o som é imediato e brilhante, sem engasgos.
Leque 5 barras (cavaquinho)
Objetivo acústico: Mais controle estrutural e equilíbrio entre corpo e sustain.
Visualização:
🔹 5 varetas em leque, proporcionando maior estabilidade.
🔹 Barras externas afinadas para liberar vibração.
Dimensões típicas: Altura inicial ~3,5–4,5 mm.
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando nas pontas.
Função acústica:
Som mais cheio e com sustain, menos “estalado” que o de 3 barras.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Barras externas muito rígidas → tampo fechado e som abafado.
💡 Afine bem as pontas para manter brilho e resposta.
Como ouvir o resultado:
Toque acordes abertos e observe se o som tem corpo e sustain, sem perder agilidade.
Custom (cavaquinho): indique se é ladder, mini-fan, misto ou cópia de referência (marca/modelo). Documente espessura-alvo do tampo e tensão das cordas; em instrumentos pequenos, poucos milímetros de massa ou posição mudam a resposta — mantenha desenho e notas visíveis até o voicing.
Leque 3 barras (ukulele)
Objetivo acústico: Padrão leve para tampo fino — resposta rápida e volume imediato.
Visualização:
🔹 3 varetas em leque simples, proporcional ao tamanho reduzido do ukulele.
🔹 Estrutura mínima para liberar vibração rápida.
Dimensões típicas: Altura inicial ~2,5–3,5 mm.
Perfil: Triangular ou arredondado, afinando nas pontas.
Função acústica:
Garantir ataque imediato e timbre brilhante, sem comprometer a leveza do tampo.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Excesso de rigidez mata completamente o instrumento.
💡 Trabalhe com mínima massa para preservar a resposta viva.
Como ouvir o resultado:
Toque dedilhados leves e observe se o som responde rápido e com clareza.
Custom (ukulele)
Objetivo acústico: Ajustar o padrão de barras conforme tamanho e estilo do ukulele.
Visualização:
🔹 Pode ser ladder, fan reduzido ou híbrido.
🔹 Configuração varia conforme soprano, concert, tenor ou barítono.
Dimensões típicas: Definidas conforme projeto e tensão das cordas.
Perfil: Adaptado ao objetivo (volume vs. sustain).
Função acústica:
Moldar o timbre e a resposta do instrumento de acordo com a escolha do construtor.
Erros comuns / Dicas rápidas:
⚠️ Contradições entre desenho e metas acústicas → resultado inconsistente.
💡 Documente claramente metas (volume, sustain, cordas baixas vs. reentrante).
Como ouvir o resultado:
Compare acordes abertos e notas isoladas; o som deve refletir o objetivo definido (mais volume ou mais
sustain).
Customizado
Você está criando o comportamento acústico do instrumento.
Se não definiu um leque no projeto, use esta etapa como espaço para experimentar sua própria
imaginação.
Defina obrigatoriamente:
• Número de varetas
• Altura inicial (em mm)
• Padrão (simétrico ou assimétrico)
• Zonas mais rígidas vs. zonas mais livres
Pergunta guia:
O que você quer privilegiar?
→ Mais volume?
→ Mais sustain?
→ Ataque rápido?
Regra prática:
➕ Mais massa = mais controle, menos resposta.
➖ Menos massa = mais resposta, menos controle.
Dica para iniciantes:
Comece simples: desenhe 3 a 5 varetas em leque básico e ajuste alturas aos poucos.
Documente suas escolhas — cada detalhe muda o som final.
Como ouvir o resultado:
Toque acordes abertos e veja se o som reflete sua intenção (mais cheio, mais brilhante ou mais
rápido).
Ajuste conforme necessário.
Esta etapa é dedicada exclusivamente à preparação das travessas e barras harmônicas — ainda não ocorre a colagem. O objetivo é selecionar a madeira, cortar e moldar as peças conforme o abaluamento do tampo e o desenho do leque harmônico do projeto.
Etapas
- Escolha da madeira: Cedro, abeto ou pinho bem seco, com veios radiais (“em pé”) para máxima resistência e transmissão acústica.
- Corte inicial: Tiras com dimensões brutas de 6–8 mm de altura × 5–6 mm de largura.
- Curvatura da base: Prepare a face convexa das barras de acordo com o raio da solera ou molde da soleta — esse ajuste define o abaluamento do tampo.
- Marcação: Posicione as barras sobre o molde e marque o comprimento conforme o desenho do leque harmônico.
- Assentamento: Use o método do lápis curto ou giz para transferir o contorno da solera e garantir encaixe perfeito antes da colagem.
- Modelagem opcional: Se preferir, já molde o perfil das travessas e varetas (mais alto no centro, afinando para as pontas) antes da colagem.
- Acabamento: Utilize galgas e lixas finas para suavizar arestas e garantir fluxo sonoro contínuo.
Observação: A colagem das barras e travessas será realizada na próxima etapa. Aqui, o foco é preparar cada peça com precisão e coerência com o sistema de leque harmônico escolhido.
Alturas típicas (centro): 6.0–7.5 mm; pontas aliviadas para ~1.5–2.5 mm. Ajuste ao seu leque.
Cavaquinho: barras mais baixas (5.0–6.5 mm no centro); pontas ~1.5–2.0 mm para resposta rápida.
Ukulele: centro 4.5–6.0 mm; pontas ~1.2–1.8 mm. Evite afinar demais próximo ao cavalete.
🔧 Dicas práticas de oficina
Sequência alternativa:
Muitos luthiers preferem colar as barras primeiro (já com o raio ajustado) e, após a cura, entalhar e
perfilar.
Esse método garante maior estabilidade durante o entalhe e permite ajustes finos diretamente no tampo.
Direção das fibras:
Sempre use madeira com veios radiais (“em pé”), ou seja, fibras perpendiculares ao tampo.
Isso aumenta a resistência e melhora a transmissão acústica.
Evite fibras paralelas, que reduzem eficiência e podem deformar.
Método do lápis curto:
Segure o lápis quase deitado, com a ponta curta encostando na solera.
Ao deslizar a barra sobre o tampo, o grafite marca os pontos de contato.
Entalhe até que a barra assente sem balanço, garantindo colagem firme e uniforme.
Objetivo
Nesta etapa, o luthier instala e cola as travessas, o reforço da boca e o leque harmônico sobre o tampo. É aqui que se define a estrutura acústica e mecânica do instrumento — o equilíbrio entre resistência e resposta sonora.
Etapas
- 1. Marcação e posicionamento: transfira o desenho do leque para o lado interno do tampo, usando planta, molde ou projeto como guia. Numere cada vareta para manter a ordem de montagem.
- 2. Reforço da boca: cole primeiro as tiras horizontais junto à boca ou o face-graft fino. A grã deve ficar cruzada ao tampo, para resistir melhor às fissuras longitudinais.
- 3. Travessas transversais: posicione e cole as travessas principais (superior e inferior). Ajuste a base à curvatura da solera usando o método do lápis curto para garantir contato integral.
- 4. Leque harmônico: cole as varetas do leque conforme o sistema adotado (Torres, Hauser, Ramirez etc.). Trabalhe com cola fina e uniforme, sem excesso.
- 5. Cura e verificação: após a colagem, deixe curar completamente. Verifique o assentamento com luz rasante — nenhuma vareta deve “balançar”.
- 6. Modelagem final: depois da cura, perfilar e aliviar pontas. Ferramentas: formão pequeno, mini-plaina, raspilha e lixas P120→P400. Pontas que chegam às laterais ~3 mm, com transição suave no reengrosso.
Uso da Go‑Bar Deck
Função: sistema de pressão vertical para colagem precisa e uniforme das barras e travessas.
Como usar:
• Monte o tampo sobre a solera dentro da estrutura da go‑bar deck.
• Posicione cada vareta ou travessa com cola fina e uniforme.
• Use varas flexíveis (go‑bars) para aplicar pressão vertical — uma por peça ou mais conforme o
tamanho.
• Ajuste a altura das varas para que a pressão seja firme, mas sem deformar o tampo.
• Proteja o tampo com papel antiaderente ou filme plástico fino.
• Após a cura, retire as varas e verifique o assentamento completo.
Dica: mantenha o ambiente estável (sem variação de umidade) e distribua as varas simetricamente para evitar empenamento.
Violão/Viola: leque em abanico (6–7 varetas) ou X bracing. Reforço de boca ~2.0–2.5 mm. Travessa superior mais robusta (região do braço).
Cavaquinho: ladder (2–3 travessas) ou mini‑fan leve; mantenha massa baixa para preservar ataque e brilho.
Ukulele: fan leve (3–5 varetas curtas) ou ladder simples; tampo fino pede barras discretas e cola uniforme.
Dicas de colagem:
• Use cola fresca e espalhe em camada fina.
• Evite excesso — o filme deve ser contínuo, sem bolhas.
• Trabalhe com tempo controlado: cola aberta por mais de 5 min perde aderência.
• Após cura, inspecione cada junção com luz rasante para garantir contato total.
Perfil: coroamento mais alto no centro, aliviando para as pontas; quebre levemente arestas (sem cantos vivos).
Objetivo
Refinar o perfil das varetas e travessas do tampo, ajustando espessura e altura para alcançar equilíbrio acústico em resposta, volume e timbre.
Sequência recomendada
- Travessas: mantenha altura nas zonas que exigem rigidez; afine progressivamente em direção às extremidades, começando ~5 cm antes das faixas. Evite retirar material junto ao cavalete e nos encontros com laterais/travessas.
- Leque harmônico: reduza gradualmente a altura, deixando o centro mais alto e
afinando em direção às extremidades. Perfis usuais:
- Triangular ou meia-cana: rigidez central e flexibilidade nas bordas.
- Arredondados (Torres/Hauser) ou baixos/largos (Bouchet/derivados).
- Microajustes localizados: alivie discretamente sob as cordas graves (4ª–6ª) para liberar graves; preserve rigidez sob as agudas (1ª–3ª) para clareza e ataque. Em corpos pequenos (cavaquinho, ukulele), trabalhe em retiradas mínimas e teste a cada passo.
Controle e feedback
- Auditivo: bata levemente no tampo (nós dos dedos ou martelo de borracha) e avalie resposta (grave/aguda, sustentação, clareza).
- Tátil: pressione o tampo em diferentes áreas para sentir rigidez e flexibilidade.
- Iterativo: altere uma zona por vez e teste; evite mexer em tudo de uma só vez.
Ferramentas
- Formão pequeno, mini plaina, raspilha e lixas finas.
- Retire material em pequenas quantidades para não fragilizar.
- Marque com lápis as zonas já trabalhadas para evitar excesso.
Espessuras típicas
Extremidades: ~2.5–4.5 mm; cume até ~6 mm (varia conforme projeto). Não ultrapassar cerca de 30–40% de redução da altura original.
Documentação
Registre medidas finais e impressões sonoras de cada instrumento. Compare com tampo já pronto ou registros anteriores para calibrar melhor o voicing.
Graves x agudos: para mais calor nos graves, alivie discretamente sob 4ª–6ª; preserve rigidez sob 1ª–3ª para clareza.
Corpos pequenos: micro-ajustes mudam muito o timbre — trabalhe em retiradas mínimas e teste a cada passo.
Zonas de segurança: não afine demais junto ao cavalete e nos encontros com laterais/travessas.
4) Fundo
Objetivo
A preparação do fundo segue os mesmos princípios aplicados na seção "3) Tampo".Obter uma emenda perfeita (bookmatch) das duas metades do fundo, com junção sem frestas e fibras bem alinhadas, garantindo máxima rigidez específica e estabilidade dimensional.
Procedimento recomendado
- Orientação e marcação: defina a face externa e verifique se o corte é radial (anéis de crescimento perpendiculares à face). Marque topo e cauda das peças para não inverter durante o ajuste. As duas metades devem ser abertas como “um livro” (bookmatch), garantindo simetria do desenho das fibras.
- Preparação inicial: fixe as duas peças lado a lado, unidas provisoriamente por uma régua de alumínio (“regle”) ou barra reta, com sargentos. Isso mantém o conjunto estável durante a retífica.
- Plaina ou lixa longa: use plaina bem afiada sobre shooting board a 90°; em alternativa, utilize uma prancha longa com lixa de grão 60–80, garantindo passadas por toda a extensão sem “cavar” nas extremidades. Mantenha a ferramenta paralela, sem inclinar.
- Controle de planicidade: utilize régua de precisão para verificar a linearidade da aresta. Em seguida, teste à contraluz unindo as metades: se passar luz, repita até obter contato uniforme.
- Acabamento da aresta: remova fiapos com raspilha fina. Fibras soltas falseiam a leitura da união.
- Ensaio a seco: posicione as metades na base de colagem, com tacos-guia e papel manteiga antiaderente. Confirme alinhamento e planicidade antes da cola. Somente avance para colagem quando não houver passagem de luz.
Peças longas: prefira shooting board comprido; madeiras densas (pau-ferro, palosanto) pedem facas/plaina em ponto de barbear para evitar lascas.
Placas menores: controle firme de planicidade; pequenas folgas pesam mais no resultado final.
Marcação: identifique claro topo/cauda nas duas metades; mantenha a figuração contínua no centro.
Teste a seco: una, pressione com a mão e faça o teste de luz; só siga para a colagem quando não houver passagem.
O adorno central do fundo tem função estrutural e estética: reforça a junção e ajuda a prevenir rachaduras, além de valorizar o acabamento.
O adorno central é construído com laminações alternadas de madeiras contrastantes — geralmente combinações de madeiras claras e escuras que criem um padrão visual harmônico com o restante do instrumento. A colagem das lâminas deve ser feita sob pressão uniforme em superfície plana; após cura completa, o adorno é cortado em tiras com largura controlada e espessura ajustada para encaixar com precisão na junta do fundo. Além da função estética, o adorno reforça a linha de cola e reduz o risco de fissuras superficiais ao longo do tempo.
Procedimento recomendado
- Seleção: chapas finas (lâminas/folhas) de madeiras claras e escuras (ex.: sicômoro, nogueira, pau-ferro), retas e estáveis.
- Laminação: cole em padrão claro–escuro–claro (ou variações), mantendo fibras no sentido longitudinal.
- Prensagem: prense entre duas tábuas planas com pressão uniforme; cura típica 24–48 h.
- Dimensionamento: após a cura, recorte tiras ~3 mm de espessura, retas e paralelas, na largura-alvo do adorno.
- Reserva: guarde o conjunto pronto para inserir entre as duas metades do fundo durante a colagem.
Largura típica: 6–10 mm. Em madeiras escuras (pau-ferro/palosanto), compense contraste com lâminas claras.
Mais leve: 4–6 mm é suficiente para escala curta; evite excesso de massa no centro.
Fibras: mantenha o adorno com grã longitudinal; plane firme e lixe em apoio rígido para não “ondular”.
Cola: alifática (Titebond) em filme fino; limpeza imediata do excesso melhora o acabamento posterior.
Com o adorno preparado, as metades são coladas formando o painel único. A montagem a seco é obrigatória antes de abrir a cola: posicionar todas as peças, verificar alinhamento do desenho das fibras, testar o sistema de pressão. A pressão deve ser uniforme ao longo de toda a junta, com a base absolutamente plana. O excesso de cola é removido ainda úmido. Após cura mínima de 12 a 24 horas, o painel é inspecionado e a junta raspada até ficar imperceptível ao tato.
Procedimento recomendado
- Montagem a seco: posicione as metades e encaixe o adorno central; confira simetria e paralelismo.
- Centralização: marque a linha central na base e use batentes/guia para não “escorregar”.
- Prensagem: distribua pressão uniforme (cunhas, grampos ou sistema de cordas) sobre base nivelada com papel antiaderente.
- Cura: 12–24 h. Raspe excesso de cola ainda “verde” e finalize a face com raspilha/lixa em apoio rígido.
Placas longas: use base longa e mais pontos de pressão para evitar arqueamento durante a cura.
Placas menores: ripas/caibros mais estreitos no método da corda ajudam a manter a peça plana.
Adorno central: mantenha alinhado ao centro em toda a extensão; limpe cola “espremida” antes de curar totalmente.
Proteção: sempre use papel manteiga/kraft encerado entre peças e tacos para não colar no gabarito.
O fundo deve ser desbastado até aproximadamente 2,8–3,0 mm de espessura, garantindo flexibilidade e resposta sonora.
O fundo colado raramente está uniforme em espessura — o bloco bruto tem variações que precisam ser corrigidas progressivamente. Raspilha para controle fino nas regiões próximas à junta e ao adorno, lixamento progressivo com taco rígido nas demais áreas, e medição constante com paquímetro em múltiplos pontos. Como no tampo, é útil construir um mapa de espessura — registrar as medições em diferentes zonas do painel para identificar onde ainda há material a remover e onde a espessura já está no limite. O objetivo é um painel uniforme que equilibre rigidez estrutural e resposta acústica adequada para aquela madeira específica.
Procedimento recomendado
- Raspilha afiada: controle o processo sem “cavar”; passadas longas no sentido da fibra.
- Lixa progressiva: 120 → 180 → 220 → 320 (até 400 se necessário), sempre com taco rígido.
- Controle de espessura: confira com paquímetro/calibrador em vários pontos do fundo.
- Uniformidade: evite “barrigas” e áreas muito finas; mantenha leve reforço próximo aos blocos.
Faixa típica: 2,6–3,0 mm. Mantém centro um pouco mais rígido; bordas ligeiramente aliviadas.
Faixa típica: 2,2–2,8 mm. Preserve rigidez perto do bloco da culatra.
Faixa típica: 1,8–2,4 mm. Retiradas mínimas fazem diferença; meça com mais frequência.
Referência prática: finalize próximo de 2,9 mm e deixe a margem do lixamento final trazer ao alvo.
Objetivo
Montar a estrutura interna do fundo com travessas (back braces) e reforço central (espelho), garantindo estabilidade, bombeamento controlado e integração acústica com o tampo.
Sequência recomendada
- Reforço central (espelho): tira ~25 mm × ~2 mm, fibras na contrafibra; colar sobre a emenda (adorno central), plano e contínuo.
- Travessas: 2, 3 ou 4 peças, conforme o projeto, grão perpendicular ao fundo; altura inicial típica 8–12 mm antes do perfilamento; pré-curvar para ~3 mm de bombeamento no centro.
- Curvatura das travessas: A maioria dos instrumentos têm as travessas curvas para o centro do fundo, então, de acordo com o seu projeto, preparar as travessar na curvatura ideal, fazendo-as assentar perfeitamente na soleira.
- Ajuste na solera: transferir curvatura da soleira para as travessascom lápis curto ou outro método de marcação; assentar sem forçar; acertar raio com galgas/lixas.
- Colagem: pressão uniforme (go-bar, cunhas ou grampos); filme fino de cola; limpar excesso imediatamente; cura completa antes de perfilar.
- Perfil final: modelar com formão/plaina/lixas; afinar progressivo nas pontas até casar no reengrosso (~3 mm); perfis arredondados ou chanfrados conforme estilo.
Medidas típicas
- Espelho: 1.8–2.2 mm de espessura.
- Travessas: altura inicial 8–12 mm, afinadas nas pontas.
- Bombeamento: ~3 mm no centro da largura.
Segurança
- Não afinar demais próximo às laterais para evitar fragilidade.
- Grão das travessas nunca paralelo ao fundo.
- Integração com o adorno: espelho deve cobrir a emenda sem degraus; se necessário, chanfrar travessas.
Documentação
Registre dimensões finais (altura das travessas, espessura do espelho, curvatura aplicada) e observações acústicas. Compare com instrumentos anteriores para calibrar futuros projetos.
Violão clássico: 3 travessas + espelho é configuração comum; bordas mais baixas ajudam no controle do bombeamento.
Viola caipira: pode exigir travessa extra próxima ao cavalete; monitore arqueamento com 10 cordas.
Cavaquinho/Ukulele: 2 travessas bem perfiladas costumam bastar; evite massa excessiva.
5) Laterais (Faixas)
Objetivo
Cortar e calibrar as duas faixas formando um par espelhado (bookmatch), prontas para a etapa de dobra — com larguras simétricas, espessura uniforme e veios alinhados dos dois lados do instrumento.
Procedimento recomendado
- Pareamento: posicione as duas faixas "em livro", uma sobre a outra, alinhando o desenho das fibras para garantir simetria visual no instrumento acabado. Mantenha-as juntas e presas durante toda a marcação.
- Escolha da referência de corte: selecione um bordo 100% reto — rectifique-o na plaina ou lixadeira se necessário. Sem um bordo reto como guia, todos os cortes seguintes ficam torcidos.
- Marcação das larguras: marque com lápis e régua em ambas as extremidades (braço e culatra) e conecte os pontos com uma linha contínua. Referência (guitarra clássica): ~90–95 mm no braço e ~95–100 mm na culatra; comprimento típico ~850 mm. Referência (viola caipira): ~85–90 mm no braço e ~90–95 mm na culatra; comprimento típico ~800 mm. Referência (cavaquinho): ~75–80 mm no braço e ~85–90 mm na culatra; comprimento típico ~600 mm. Referência (ukulele): ~55–60 mm no braço e ~65–70 mm na culatra; comprimento típico ~600 mm.
- Corte longitudinal: prenda as peças à mesa com grampos e use uma régua de alumínio ou sarrafo reto como batente fixo. Faça passes leves e repetidos com o serrote curvo (ou tico-tico) — nunca force a lâmina. Repita até separar o excedente por completo.
- Calibragem da espessura: marque pontos de profundidade com calibrador/gabarito em vários locais da peça. Reduza com plaina de mão — ajuste o ferro para retirar lascas muito finas, e certifique-se de que está bem afiado (uma plaina cega amassa em vez de cortar). Finalize com raspilha e lixas em base plana.
- Sentido de trabalho: trabalhe sempre empurrando a plaina para longe do grampo, nunca em direção a ele — assim a peça não desloca. Use um sarrafo de proteção por toda a extensão para evitar flexão e quebras.
- Opção semimanual: se disponível, use lixadeira calibradora de painéis. Evite desengrossadeira automática — o risco de quebra é alto em peças tão finas.
Guitarra/Violão clássico: espessura-alvo 1,7–2,0 mm (literatura tradicional). Para violão flamenco, alguns autores preferem ~2,5 mm por maior robustez.
Viola caipira: espessura-alvo ~1,8–2,2 mm; ajuste à sua plantilla e ao encordoamento previsto.
Cavaquinho: espessura-alvo ~1,6–2,0 mm; corpos menores exigem controle ainda mais fino para evitar trincas na dobra.
Ukulele: espessura-alvo ~1,4–1,8 mm; trabalhe com retiradas mínimas e base bem plana.
Boas práticas: marque a largura no início e no fim (braço/culatra), mantenha 2–3 mm de folga nas bordas para refino pós-dobra, e verifique retidão contra a luz com régua metálica. Após calibrar, coloque a faixa sobre uma superfície plana e pressione as pontas — se oscilar, há empenamento. Corrija antes de dobrar.
Objetivo
Dobrar as faixas com controle de calor e umidade, mantendo a simetria de veios (bookmatch) e a coincidência com o molde do instrumento. O método descrito aqui usa o tubo de dobra — a técnica mais acessível e difundida em lutheria artesanal.
Pareamento e corte longitudinal
- Posicione as duas faixas em bookmatch — "como um livro aberto" — para que as fibras fiquem simétricas no instrumento acabado.
- Escolha um bordo 100% reto como referência e retifique-o se necessário com régua, serrote curvo ou plaina/tupia.
- Marque as larguras conforme a plantilla (ex.: violão, ~90–95 mm na região do braço e ~95–100 mm na culatra) e o comprimento (≈750 mm para violão). Deixe 2–3 mm de folga para acertos pós-dobra.
Aquecimento e umidade
- Fixe o tubo de dobra além da borda da bancada, garantindo espaço livre dos dois lados para manobrar a faixa.
- Regule a chama (mecha ~10 mm) ou a resistência elétrica para manter a superfície do tubo entre 120 e 150 °C. Marcas escuras na madeira indicam excesso de calor — recue e re-hidrate antes de continuar.
- Umedeça a face que encostará no tubo com esponja + água, sem encharcar. Evite deixar as faixas de molho por horas: a madeira encharcada perde rigidez e deforma de modo irregular.
Dobra no tubo
- Use o molde como guia constante: marque uma referência fixa na faixa (ex.: 30 mm do canto) e parta sempre desse ponto para não deslocar a cintura.
- Posicione a faixa sobre o tubo exatamente na região marcada e balance levemente (E↔D), aplicando pressão gradual com um taco auxiliar — nunca force de uma vez.
- Alterne dobrar ⇄ conferir no molde. Se ultrapassar a curvatura desejada, desdobre umedecendo o lado oposto e aquecendo com cuidado.
- Conclua toda a cintura e os bojos de uma faixa antes de iniciar a segunda. Dobre a segunda espelhando a primeira — confira as duas no molde antes de soltar qualquer uma.
Estabilização no molde
- Monte as faixas no molde fêmea, corrija pequenos desvios com soprador térmico e mantenha sob pressão até resfriar completamente.
- Deixe descansar algumas horas; em seguida remova e seque por mais 2–3 dias em ambiente estável antes de colar.
- Verifique o encaixe no tróculo e na culatra antes de avançar para a próxima etapa.
Outros métodos de dobra
O tubo de dobra não é o único caminho. Dependendo do equipamento disponível, da espécie de madeira ou do volume de produção, o luthier pode recorrer a outras abordagens:
- Ferro elétrico (bending iron): versão controlada eletronicamente do tubo de dobra. Sem chama aberta, com temperatura digital e maior repetibilidade — indicado para quem dobra faixas com frequência ou trabalha em espaço fechado.
- Caixa de vapor: a faixa permanece numa câmara de vapor por 15–40 minutos e é então pressionada rapidamente no molde com grampos. A umidade penetra de forma uniforme, reduzindo o risco de rachas em madeiras densas como Maple flameado e Nogueira.
- Fox bender (forma aquecida): sistema semi-automatizado em que a faixa é posicionada entre uma forma metálica com o contorno do instrumento e uma fita de aço aquecida que aplica pressão uniforme. Alta repetibilidade; preferido em produção em série.
- Método frio com cortes de alívio (kerfing): sem calor — a faixa recebe cortes transversais parciais na face interna que reduzem a rigidez e permitem curvá-la manualmente no molde. Usado em madeiras muito finas, compensados ou materiais alternativos como ABS.
Prática: treine com espécie barata (ex.: sapele) no mesmo grosso das faixas "boas" antes de trabalhar com a madeira definitiva.
Umidade: umedeça com esponja sem encharcar. Reaplique água sempre que notar ressecamento durante a dobra.
Calor: ~120–150 °C no tubo. Marcas escuras indicam excesso — alivie e re-hidrate antes de continuar.
Guia no molde: use sempre a mesma marca zero ao conferir o avanço. Evita deslocar a cintura entre verificações.
Violão clássico: espessura alvo das faixas ≈ 1,7–2,0 mm. Larguras típicas (ajuste à sua plantilla): ~90–95 mm (braço) / ~95–100 mm (culatra).
Viola caipira: valores próximos ao violão do seu modelo; espessuras um pouco acima de 1,8 mm ajudam a suportar a tensão das 10 cordas.
Cavaquinho: curvas mais fechadas na cintura — trabalhe com retiradas mínimas de calor e espessuras entre 1,6–2,0 mm.
Ukulele: calor menor e umidade mais frequente; espessuras leves (≈1,4–1,8 mm) favorecem resposta rápida do instrumento.
6) Montagem da Caixa
No sistema espanhol, o tróculo integra o braço. As laterais entram em slots na região do traste 12 e depois fecham na culatra. A sequência a seguir reúne ajuste fino, colagem no tróculo e colagem da culatra.
1) Preparação do tróculo e acessórios
- Se ainda não foi realizado anteriormente, faça o rebaixo interno do tróculo na parte superior, onde será colado o tampo nas etapas seguintes.
- Meça a espessura do tampo (parte frontal) e rebaixe a tapeta do tróculo na mesma proporção, garantindo que, após a colagem, o tampo fique perfeitamente alinhado com o braço.
- Prepare quatro cunhas (duas superiores e duas contra-cunhas inferiores) que serão usadas para pressionar as laterais dentro dos slots.
- Essas cunhas também receberão cola e passarão a integrar o conjunto estrutural tróculo/laterais.
2) Marcação das laterais no molde fêmea
- Monte as laterais no molde fêmea (solera) e marque uma referência zero em cada lateral, alinhada a um ponto fixo do molde (para garantir repetibilidade).
- Com o braço posicionado no molde, utilize a marcação do pescoço do tróculo (12 mm de largura total, 6 mm de cada lado do centro) como guia.
- Centralize as laterais no molde e marque nas extremidades o ponto exato de corte, alinhado à marcação do tróculo.
- Retire as laterais, corte com serrote fino ou tesoura robusta, e ajuste com lima ou raspilha até que o encaixe fique justo nos slots retos do tróculo.
3) Ajuste na culatra (lado oposto ao braço)
- Com laterais no molde e o braço no lugar, prenda as laterais contra as paredes da solera. Na culatra, elas ficarão sobrepostas.
- Marque a linha central da solera nas duas laterais; retire o conjunto, prolongue a marca com esquadro e faça o corte a 90°: primeiro no costado externo, depois no interno. Volte ao molde e confira a junção.
4) Colagem das laterais no tróculo
- Retire o conjunto da solera para realizar a colagem fora do molde.
- Proteja o lado externo do tróculo com fita adesiva para evitar manchas de cola.
- Aplique cola nos slots do tróculo, espalhando bem com palito ou maderinha nas paredes internas.
- Sequência: insira a primeira lateral no slot, posicionando-a para encostar no pescoço do tróculo e alinhar paralelamente ao rebaixo do tróculo.
- Insira a cunha superior, vire o conjunto e insira a contra-cunha inferior. Bata com martelo até tudo ficar estabilizado.
- Repita o processo com a outra lateral.
5) Colagem da culatra (tacão traseiro)
- Faça um leve chanfro no bordo que encosta na tapa para casar o pequeno bombeamento. (É sutil; ajuda a assentarem sem “calço de cola”.)
- Se houver adorno central na emenda das faixas traseiras, cole primeiro o adorno na culatra, bem centralizado. Após a cura, proceda com a colagem das faixas laterais à culatra, incorporando o adorno sem necessidade de abrir slots posteriores.
- Aplique cola no bordo chanfrado (lado da tapa) e na face curva onde abraça as laterais.
- Posicione a culatra, proteja com tacos e grampeie por dentro; se quiser, um grampo externo por cima ajuda a pressionar na tapa (evite marcar).
Ordem prática: Ajustar → testar a seco → colar tróculo (e braço/tapa) → forçar laterais à solera → colar culatra.
Slots do tróculo: pescoço típico ~12 mm (≈ 6 mm por lado). Use gabarito de cartolina para uniformizar profundidade.
Larguras usuais (relembrando o corte): braço ~90–95 mm; culatra ~95–100 mm (ajuste à tua plantilla/planta).
Cavaquinho: braço ~85–90 mm; culatra ~90–95 mm. Curvas fechadas pedem pressão bem distribuída.
Ukulele: braço ~65–70 mm; culatra ~70–75 mm. Sensível a calor/umidade — re-dobre levemente no molde se perder curvatura.
Cola: alifática (ex.: Titebond Original), filme fino e contínuo. Cura 12–24 h, peça presa no molde.
Objetivo: aumentar a área de contato e a rigidez do aro, colando tiras de reengrosso nas bordas das laterais, primeiro do tampo e depois do fundo.
Tipos e dimensões usuais
- Kerf (serrilhado) ou reverse-kerf; opcional: sólido laminado pré-curvado.
- Altura típica: 10–15 mm (instrumentos pequenos: 8–12 mm). Espessura: 5-6 mm.
- Madeiras: cedro, abeto, marupá ou semelhante; veios no sentido do comprimento.
Sequência recomendada
- Conjunto no molde fêmea: faixa laterais coladas ao tróculo e culatra, então volte o conjunto ao molde fêmea, ajuste-o centralizado, então segue para colagem do reengrosso.
- Ajuste a seco: teste o alinhamento ao longo da lateral. Faça recortes/entalhes nos encontros com tróculo e culatra para assentar sem folga.
- Cola (tampo): filme fino de cola alifática na interface; posicione o reengrosso nivelado com a borda superior do aro. Prense com presilhas (molas de roupa reforçadas/elásticos), “do centro para as pontas”.
- Cura: 2–4 h mínimo (ideal 8–12 h). Remova escorridos.
- Cola (fundo): repita no bordo inferior. Se o fundo tiver bombeamento, perfilar levemente o topo do reengrosso para casar a curvatura.
- Acerto final: com a caixa na solera, aplane/raspe o topo dos reengrossos até ficarem coplanares e a 90° com as laterais (prontos para colar tampo). Já no fundo, ajuste o reengrosso e lateral com angulação levemente inferior a 90°, se o fundo for abaulado.
Ordem prática: reengrosso do tampo → cura → reengrosso do fundo → nivelar/raspar para 90°.
Altura sugerida: 12–15 mm. Se usar fundo com leve raio, dê chanfro no reengrosso inferior.
Instrumentos pequenos: 8–12 mm de altura e serrilha mais fechada (kerfs ~3–4 mm) para curvar fácil.
Prensagem: molas de roupa com elástico, presilhas de mola ou go-bar. Pressão contínua e distribuída.
Objetivo: garantir que o eixo do braço coincida com a linha de centro da caixa. No método espanhol, braço e tróculo são uma peça única já integrada ao conjunto — o alinhamento aqui é essencialmente uma confirmação visual e de medição antes de prosseguir.
Sequência prática
- Conjunto na solera: o conjunto (caixa com braço já integrado) deve estar assentado no molde fêmea (solera). Esse é o momento de checar, não de colar — no método espanhol, o braço já está fixo ao tróculo.
- Linha de centro: com uma régua longa apoiada sobre a escala (como na foto), verifique se ela aponta para o centro da boca e segue alinhada até a culatra. A régua não deve desviar lateralmente em nenhum ponto do percurso.
- Simetria lateral: meça as distâncias das laterais até essa linha de centro em 2–3 pontos ao longo do corpo. Diferenças indicam giro (yaw) do braço em relação à caixa.
- Ângulo do braço: no método espanhol clássico, o braço é construído praticamente paralelo ao tampo (ângulo "zero" ou próximo disso). A ação final é ajustada pela altura do cavalete e espessura da escala — não por um ângulo inclinado como em violões folk. Confirme que o plano da escala está paralelo ao tampo.
- Correções: pequenos desalinhamentos laterais podem ser corrigidos com micro-raspas no topo do tróculo ou cunhas finas. Refaça a checagem após cada ajuste.
Projeção ao cavalete: alguns construtores usam uma régua projetada da escala até a posição do cavalete para estimar a altura de ação futura. No método espanhol isso é uma conferência complementar, não o foco principal desta etapa — o centro já alinhado e o ângulo paralelo ao tampo são as prioridades. Se quiser checar, posicione a régua sobre a escala e observe onde ela cruza a linha do cavalete: idealmente deve passar rente ao topo da ponte, com folga para a altura do rastilho.
Ordem: centralize → confirme simetria → confirme paralelismo ao tampo → só então finalize.
Corpos menores: pequenas variações de alinhamento têm grande impacto na ação final. Trabalhe com ajustes mínimos e re-checagens frequentes.
Objetivo: colar o tampo sobre laterais + reengrossos (linings) + blocos (tróculo/culatra), garantindo contato integral das travessas/leme com seus encaixes e pressão homogênea.
Sequência prática
- Ensaio a seco: O conjunto já está com o braço alinhado e acomodado no molde fêmea. Então, posicione o tampo no conjunto onde deverá ser colado e marque no conjunto (linings/blocos) as posições das travessas e confira todos os encaixes.
- Entalhes/assentos: Nas marcações, faça traços posicionando uma régua unindo as marcações da faixa esquerda com as marcações da faixa direita, então com uma serrinha fina, faça um pequeno corte da profundidade da ponta da travessa. Finalizando, com tupia de coluna ou formão, faça os rebaixos necessários em linings e blocos para receber as travessas.
- Teste final: assente o tampo “a seco”, sem folgas nem ressalto. Ajuste com galga/raspilha ou lixa, se necessário.
- Colagem: aplique filme fino de cola nas áreas de contato (linings, blocos, encaixes das travessas nos linings/blocos). Acomode o tampo no conjunto e fixe-o com 2 preguinhos no tróculo. Vire o conjunto e acomode-o na soleira.
- Com o tampo voltado para a soleira, faça os últimos alinhamentos: o centro do tampo deve coincidir com a marcação central da soleira e as faixas devem estar simétricas.
- Pressão: Pressione o conjunto contra a soleira para que a colagem seja perfeita. Dica útil é utilizar a "go-bar deck", fazer um assoalho de ripinhas sobre o conjunto (fundo do instrumento) e pressionar com varetas flexíveis, assim a pressão fica uniforme e o tampo fica ajustado às laterais/reengrosso, perfazendo uma colagem justa e ideal.
- Cura: mantenha o conjunto no molde e solera nivelada e deixe curar 12–24 h. Limpe escorridos ainda úmidos.
Sequência lógica: marcação onde entalhar → entalhar → testar (ensaio a seco) → colagem → pressão → cura.
Pressão homogênea: use tacos amplos sobre a região da boca e travessas; vá do centro para as bordas.
Ensaio obrigatório: tampo deve assentar sem “pular” em travessas. Ajuste os entalhes até encostar por gravidade.
Doming: se usar arqueamento no tampo, confira que linings/blocos acompanham o raio (sem forçar).
Faixa fina: evite excesso de pressão em curvas fechadas (cintura); prefira mais pontos com menos força.
Objetivo: colar o fundo sobre o “rim” (laterais + reengrossos/linings + blocos), preservando o arqueamento (doming) e garantindo contato integral nos assentos das travessas e do reforço central.
ATENÇÃO: Hora de tirar o molde fêmea, deixando somente a soleira com o tampo acomodado e fixo.
Sequência prática
- Preparar o assento do tróculo: com o corpo na solera (tampo acomodado na soleira e fixo) rebaixe o assento do tróculo com leve inclinação acompanhando o arqueamento do fundo — não horizontal — para que o fundo assente perfeitamente antes da colagem.
- Ensaio a seco: Agora, com o corpo no molde/solera (tampo acomodado na soleira e fixo) assente o fundo e marque, em linings e blocos, os pontos onde travessas e espelho central encostam.
- Assentos/entalhes: abra rebaixos leves nos linings/blocos onde necessário para as travessas. Tudo deve encostar sem forçar. Se usa radius dish, trabalhe o conjunto apoiado no prato para manter o doming.
- Teste final: posicione o fundo “a seco” e confira: centro alinhado, sem folgas na cintura e nos bojos, travessas tocando por gravidade e frente acomodada perfeitamente no assento do tróculo.
- Colagem: filme fino de cola nas interfaces (linings, blocos e assentos das travessas). Aplique pressão distribuída (spool clamps, ripas, corda ou go-bar deck) do centro para as bordas.
- Cura: mantenha apoio rígido/raio correto. Limpe escorridos ainda úmidos. Deixe 12–24 h.
- Pós-cura: tire o conjunto do molde, tire eventuais rebarbas de cola, e refile eventuais sobras do fundo com fresa de topo com rolamento (ou formão + lixa em taco).
Sequência de pressão: blocos (tróculo/culatra) → cintura → bojo inferior → bojo superior. Mantenha o arqueamento; não “achate” o fundo com excesso de força.
Checagem geométrica:o espelho central (reforço longitudinal do fundo) alinhado à linha de centro do corpo; diagonais equivalentes (sem torção).
Doming típico: arqueamento visível no bojo (≈2–4 mm no meio da largura). Espaçamento dos spool clamps ~60–80 mm.
Corpos menores: mais pontos de pressão com menor carga em cada ponto. Evite concentrar força na cintura.
7) Filetes / Binding & Purfling
Objetivo
Abrir canais com largura e profundidade exatas para o conjunto de binding (filete externo) e purfling (filetes internos, se houver), garantindo continuidade ao redor do corpo e encontros limpos na culatra e no tróculo.
Procedimento recomendado
- Conferência das peças: meça com paquímetro o binding e o(s) purfling(s). Some as larguras e adicione uma folga técnica de ~0,1–0,2 mm para cola e assentamento. A profundidade do canal deve ficar ~0,1–0,2 mm acima da espessura do binding — o excesso é raspado nivelando depois.
- Canal único ou em degrau: você pode fresar um canal único para binding e purfling na mesma altura, ou dois rebaixos em degrau (purfling mais raso, binding mais fundo). O canal único é mais simples, mas remove mais material dos linings — em linings sólidos finos, isso pode comprometer a superfície de colagem do tampo/fundo ao longo do tempo. Com linings kerfed ou tentellones, geralmente não há problema.
- Equipamento: use uma tupia manual (laminate trimmer) com fresa de topo rolamentada — o rolamento apoia na faixa lateral e define automaticamente o afastamento do canal. Regule a altura da fresa para a profundidade desejada. Para o purfling, ajuste o afastamento do rolamento (ou troque a fresa) sem alterar a altura. Tupias de coluna também funcionam com gabarito adequado, mas a tupia manual é mais ágil para trabalhar ao redor do corpo.
- Gramil antes de fresar: antes de ligar a tupia, risque as bordas do canal com um gramil de lâmina afiada no tampo, fundo e faixas. Esse pré-corte define a aresta, evita lascas e é especialmente importante no tampo de abeto, onde o veio mole lasca com facilidade. No método espanhol, com o braço já fixo ao tróculo, a tupia não alcança o último centímetro junto ao tróculo — essa região deve ser concluída à mão, com formão e bisturi.
- Preparo preventivo (opcional mas recomendado): aplique uma demão fina de shellac desengordurado nas bordas do tampo antes de fresar. O shellac consolida as fibras, reduz o risco de lascas e melhora a definição da aresta ao gramil. Um leve borrifo de água nas zonas críticas (bout superior lado grave e bout inferior lado agudo) imediatamente antes da passagem da tupia também torna a madeira menos quebradiça nessas regiões.
- Testes em corpo de prova: faça um corpo de prova com recortes da mesma madeira e curvatura aproximada. Ajuste altura e afastamento da fresa até o encaixe "justo sem forçar". Use a mesma sequência do instrumento real — qualquer diferença no teste pode não se repetir na guitarra.
- Ordem de fresagem: frese primeiro o canal do purfling (mais raso); depois, reajustando o afastamento do rolamento, frese o canal do binding (mais profundo). Essa ordem preserva a referência do rebaixo menor antes de abrir o maior.
- Direção de avanço e passadas rasas: avance sempre no sentido anti-horário ao redor do corpo (visto de cima). Nas zonas onde a fresa trabalha contra o veio — bout superior lado grave e bout inferior lado agudo — reduza o avanço e faça 2–3 passadas subindo a profundidade aos poucos, em vez de um corte único em profundidade total. A base da tupia deve apoiar 100% no tampo ou fundo; mantenha-a perpendicular à faixa, especialmente na cintura.
- Acertos finos nas extremidades: nos encontros junto ao tróculo e à culatra, e no último centímetro inacessível à tupia (método espanhol), conclua com formões pequenos, bisturi e micro-limas, preservando as quinas e o prumo das paredes do canal.
- Limpeza: retire rebarbas com raspilha e escova de latão macia; aspire o canal antes da colagem. Paredes limpas e secas garantem contato direto da cola com a madeira.
Folga técnica: planeje ~0,1–0,2 mm a mais na largura total do canal para acomodar cola e pequenas variações. Profundidade: deixe ~0,1–0,2 mm “de sobra” para raspar nivelando depois.
Passadas rasas: 2–3 passadas subindo a profundidade aos poucos reduzem lascas, especialmente na cintura.
Violão/Viola (típico): binding ~6,0 × 2,0 mm; purfling (1–2 tiras) totalizando ~1,5–2,0 mm. Largura total do canal ~7,5–8,5 mm; profundidade ~2,1–2,4 mm.
Cavaquinho: binding ~5,0–5,5 × 1,8–2,0 mm; purfling ~1,0–1,5 mm. Canal ~6,5–7,5 mm × ~1,9–2,2 mm.
Ukulele: binding ~4,5–5,0 × 1,6–1,8 mm; purfling ~1,0–1,5 mm. Canal ~5,8–6,8 mm × ~1,7–2,0 mm.
Objetivo
Assentar binding (filete externo) e purfling (filetes internos) com continuidade e pressão homogênea, preparando para raspagem e nivelamento sem degraus.
Procedimento recomendado
- Pré-forma: amoleça filetes de madeira em água morna ou vapor e pré-dobre nas curvas (cintura/bojos) antes de aplicar qualquer cola. Para ABS/celulóide, aqueça levemente com pistola de ar quente — sem água. Deixe secar completamente na forma antes de instalar.
- Ensaio a seco obrigatório: monte purfling e binding no canal sem cola, fixando com poucos pedaços de fita. Confirme que cada mitra fecha sem fresta, que não há folgas e que as peças assentam por pressão leve. Só abra o frasco de cola após essa confirmação.
- Ordem de instalação: instale primeiro o purfling (se houver) e depois o binding. Comece sempre pela culatra, execute as mitras e avance em sentido anti-horário ao redor do corpo, terminando no tróculo.
- Escolha da cola:
- Madeira/fibra: Titebond Original ou LMI White Glue (película fina, trabalhe rápido). Para mitras complexas, fish glue dá mais tempo aberto para ajustes.
- Plástico (ABS/celulóide): cimento próprio ou acetona.
- Método CA a seco: monte e fixe tudo com fita sem cola; depois aplique CA líquido pelas bordas deixando capilares puxar o adesivo para dentro do canal. Permite tempo ilimitado de ajuste antes de comprometer a colagem.
- Fixação e pressão: fita crepe em intervalos de 20–30 mm, puxada do binding para o tampo e depois para a faixa. Na cintura, reduza o intervalo para 10–15 mm e acrescente faixas elásticas (câmara de ar ou atadura) para pressão contínua nas curvas. Verifique se as peças estão assentadas a cada 3–4 tiras aplicadas.
- Tróculo (método espanhol): no método espanhol o binding termina rente ao bloco do braço — não há talão cobrindo essa quina. Corte reto e preciso com bisturi ou formão afiado; a quina deve ficar viva, sem lascar. Ajuste fino sempre a seco antes de colar.
- Limpeza imediata: remova excesso de cola antes de curar — pano úmido para Titebond/fish glue; raspilha e escova seca para CA. Se usar CA, aplique 1–2 demãos finas de goma-laca no tampo antes da instalação para proteger contra névoa e manchas. Retire a fita crepe em ângulo reto ao veio para não levantar fibras.
- Cura e pós-cura: aguarde 8–12 h antes de remover fitas e borrachas. Após a cura, raspe com raspilha afiada até "zerar" ao plano do tampo/fundo — as peças devem ter sido instaladas ~0,1–0,2 mm acima exatamente para permitir esse nivelamento sem degrau.
Mitras na culatra: marque e corte as mitras do purfling antes do binding; ajuste a seco até o “V” fechar sem fresta.
Proteção do tampo: se usar CA, selar o tampo com 1–2 demãos finas de goma-laca reduz a “névoa” e manchas.
Densidade de fita: 20–30 mm é regra geral; na cintura use 10–15 mm e borracha contínua.
Violão/Viola: tiras mais largas; aqueça suavemente nas transições bojo maior/menor para evitar “pontas” levantando.
Cavaquinho/Ukulele: curvas mais fechadas: pré-dobre com molde e use fita mais estreita + mais voltas de borracha.
Objetivo
Eliminar o “excesso” do binding/purfling e deixar a transição tampo ⇄ filete ⇄ fundo perfeitamente lisa, sem degraus, pronta para o lixamento geral.
Procedimento recomendado
- Tampo e fundo: comece removendo material “de fora → para dentro”, com limatão/lima bem apoiada e levemente inclinada, para não marcar as placas.
- Ferramentas de corte fino: raspilha bem afiada, lâmina de vidro ou “cuchilla” para aproximar ao plano. Passes curtos, sempre no sentido favorável das fibras.
- Laterais: o mais eficiente é a raspilha/vidro. Apoie o corpo na bancada e trabalhe por setores, uniformizando o toque visual e tátil.
- Correções: pequenas fendas podem ser fechadas com CA média + pó fino da mesma madeira. Raspe assim que gelar para não criar “crista”.
- Lixamento de homogeneização: 220 → 320 → 400, sempre com taco rígido. Evite a orbital nas quinas até estar tudo nivelado na raspilha.
- Máquinas: orbital só para remate leve; lixadeira de banda exige prática (arranca material muito rápido).
- Controle visual: rode o instrumento e confira uniformidade de altura e largura do filete por 360°; marque áreas “altas” com lápis e retorne à raspilha.
De fora → para dentro: esta direção evita “morder” o tampo/fundo ao nivelar o filete.
Ângulo da ferramenta: 5–10° e apoio firme. Passes curtos e controlados reduzem lascas.
Corpos pequenos: máscara a área do tampo/fundo com fita para não tocar a placa nas curvas fechadas.
Área ampla: prefira raspilhas ligeiramente convexas para acompanhar as ondulações suaves sem criar valas.
Objetivo
Modelar e colar a tapeta (pezinho) no tróculo, garantindo continuidade visual dos filetes/listras do fundo e o ângulo que acompanha o bombeamento do fundo.
Procedimento recomendado
- Preparar o rebaixo no tróculo: marque a altura das três linhas decorativas (filetes dos aros) e faça um rebaixo ligeiramente inclinado (segue o bombeamento do fundo). Comece com formão afiado no sentido correto das fibras; finalize com limatão e lima de aço.
- Tapeta (pezinho): use madeira compatível (mesma do fundo ou combinando com o binding). Deixe espessura de 3–5 mm em bruto para ajustar com folga.
- Ajuste ao corpo: com galga/lixa (grão 80–120) dê a inclinação correspondente ao rebaixo e confira contato integral contra a caixa. Marque o contorno no pezinho e recorte (serra de marqueteria ou lixadeira de prato/mesa).
- Colagem: aplique cola (Titebond ou CA média) cobrindo inclusive a faixa onde passam as listras dos aros. Prense com fita adesiva (duas direções) e, se quiser, um calço leve. Não é uma zona de grande tensão.
- Acabamento: após 8–12 h, remova a fita, confira a continuidade das linhas, acerte contorno com lima fina e finalize em lixa 320→600.
Continuidade visual: alinhe as três linhas dos aros com as da tapeta — marque antes e confira após a colagem.
Inclinação: a tapeta prolonga o bombeamento do fundo. Se o fundo for plano, o rebaixo é plano.
Peças menores: mantenha a tapeta mais leve (≈3 mm) para não adicionar massa na culatra.
Clássico/Viola: incline o rebaixo ~1–2 mm (dependendo do arqueamento do fundo) e priorize a coincidência das listras.
8) Escala / Trastes
Objetivo: calibrar a espessura da escala, esquadrejar um bordo de referência e a face da pestana, traçar as casas com precisão e então cortar os slots dos trastes com profundidade e largura corretas.
1) Calibragem (regrueso) da escala
- Material típico: ébano, ipê, "pau-ferro" (madeira densidade alta). Espessura alvo: 6–7 mm após plano e livre de marcas.
- Método manual: fixe a peça com gatos baixos ou num berço; passe galga/taco longo com lixa P40 até remover marcas de serra; vire e leve à espessura alvo. Controle com paquímetro/calibrador.
- Semimanual: plaina elétrica “com pouco ferro”, lixadeira vibratória/banda; sempre finalize com galga/plano longo para garantir planicidade.
- Acabamento da face onde vão os trastes: refine em P80 → P120 → P180 → P320; se desejar, raspe com cuchilla/vidro e polir levemente com pó-de-pómez.
2) Esquadrejamento
- Escolha e planeie um bordo de referência (100% reto). Se necessário, use galga P40 para “tirar linha”.
- No topo (lado da pestana), risque e corte a 90° usando o bordo de referência como guia (escuadra). Essa face será a “origem” das medidas das casas.
3) Traçado das casas (template ou fórmula)
- Comprimento de escala (L): ex.: violão clássico 650 mm (outros de acordo com seu projeto).
- Fórmula geral: posição do traste n a partir da pestana ≈
L − L/2^(n/12). Alternativa prática: crie um template em cartolina colada no canto da mesa, marcando com régua e esquadro para ter linhas paralelas e a 90°. - Transfira as linhas para a escala: encoste o template ao bordo de referência e alinhe com a face da pestana a 90°.
4) Corte dos slots
- Serrote de traste (ex.: 0,6 mm) ou disco calibrado. Profundidade: 1,5–2,0 mm (ajuste ao tang do seu traste).
- A largura do slot deve ser igual ou até 0,05 mm menor que o tang do traste — slot largo demais resulta em traste solto mesmo após cravamento.
- Use batentes/guia de profundidade (fita na lâmina) e mantenha o corte perpendicular. Aspire e desrebarbe com escova de latão fina.
- Após cortar, marque e recorte o contorno final (larguras em nut e na 12ª), e só então instale filetes laterais, se houver.
Violão clássico: escala típica 650 mm; slots ~1,7–1,9 mm de profundidade; face superior final em P320 (não “espelhar” demais).
Viola caipira (10c): 580 mm são comuns; confira largura extra no “zero” para pestana dupla/mais larga; mantenha slots consistentes para evitar empenos com maior tensão total.
Cavaquinho: escala ~330–350 mm; verifique o tang do traste — muitos pedem ~1,5–1,7 mm de profundidade; mantenha a peça leve.
Ukulele: soprano ≈346 mm, concert ≈380 mm, tenor ≈432 mm; madeira fina: prefira serrote bem afiado e cortes suaves para não rachar nas extremidades.
A instalação de marcadores de posição é opcional, mas bastante comum, especialmente em instrumentos para palco ou uso didático.
- Marque as casas desejadas (ex.: 5, 7, 9/10 e 12; duplo no 12).
- Use broca do mesmo diâmetro do dot (2–6 mm). Faça furo perpendicular com limitador de profundidade (fita na broca).
- Assente dots (madeira, osso, madrepérola ou resina) com CA ou epóxi; pressão leve.
- Após cura, raspe/lixe com taco rígido até nivelar com a superfície. Limpe resíduos.
- Opcional: marcadores laterais (na quina da escala) após a colagem da escala no braço.
Violão clássico: tradição é sem dots na face; use somente laterais discretos (5, 7, 9 e 12).
Viola caipira (10c): 5, 7, 9 e 12 (duplo). Marcação clara ajuda nas mudanças entre afinações.
Cavaquinho: padrão comum: 5, 7, 10 e 12 (duplo). Prefira dots menores (2–3 mm).
Ukulele: 5, 7, 10 e 12 (duplo). Peso baixo: resina/ABS leve funciona muito bem.
Objetivo: colar a escala com posicionamento exato (prova do cercheado/ensaio a seco), contato integral e pressão uniforme, evitando deslizamento e excesso de cola.
1) Preparação & ensaio a seco
- Prova do cercheado: confirme as marcas de posição (linha central e referência na pestana e 12ª casa) feitas na etapa anterior.
- Pre-lixamento da tampa: finalize agora as faixas da tampa ao lado da escala (~40 mm de cada lado). É muito mais fácil antes da colagem.
- Mascaramento: aplique fita de pintor de baixa aderência nos dois lados da escala (da 12ª casa até o fim) e nas áreas da tampa ao longo do contorno da escala; ajuste a fita à face para conter o squeeze-out.
- Antiderrapante: risque levemente as superfícies de colagem (lixa P80–P100) no braço e no verso da escala.
- Guias laterais: encoste duas ripas/madeiras “batente” alinhadas às bordas de fita da escala e prenda com gatos leves; isso impede que a escala escorregue quando a cola for aplicada.
2) Pinos-guia pelos slots
- Perfure discretamente nos slots da 1ª e da 12ª com broca ~1,5 mm e use pinos/preguinhos curtos ou pedaços de arame cortados. Eles travam a escala na posição sem deixar marcas visíveis.
- Faça um ensaio a seco completo com todos os grampos e tacos internos/externos.
3) Aplicação da cola & sequência de grampos
- Espalhe Titebond Original (filme fino e contínuo) na face do braço; evite excessos.
- Assente a escala usando os pinos-guia. Inicie a prensagem na região da boca usando taco interno (pela boca) para não marcar a barra transversal — o taco interno deve ser mais espesso que a barra e caber entre ela e a culatra.
- Depois, prenda o tacão (região do tróculo) com taco externo curvo e proteção no fundo; em seguida, distribua 3–4 grampos ao longo do braço com tacos moldados.
- Remova a cola que sair pelas laterais imediatamente com dedo/pano úmido.
- Cura: deixe prensado por 12–24 h em ambiente estável.
4) Desprensagem & limpeza
- Retire os grampos; remova as fitas devagar (as de baixa aderência soltam sem arrancar fibras). Se ficar rebarba, passe formão fino quase plano ou lixa fina no “canto” escala-tampa.
- Confirme que a escala permaneceu nas marcas; se necessário, raspe cola residual e refile mínimos desalinhamentos.
Máscara que salva tempo: fitas bem ajustadas ao contorno da escala (e nos cantos da tampa) evitam retrabalho pesado de cola seca.
Taco interno pela boca: sempre use um calço por dentro na região da boca para não marcar a barra transversal ao apertar o grampo.
Escalas longas: distribua mais grampos intermediários para pressão homogênea; confirme a linha central com régua longa.
Peças menores: menos grampos, mas tacos bem moldados; cuidado com excesso de cola (fácil invadir filetes/binding).
O nivelamento da escala garante a instalação correta dos trastes e evita trastejamentos futuros. Use superfícies realmente planas e verifique sempre.
Procedimento
- Com um lápis macio, faça uma malha de riscos em toda a face. Ela mostrará os altos/baixos durante o desbaste.
- Use taco longo, rígido e perfeitamente plano (30–40 cm), começando em grão 80–100. Passadas longas e paralelas ao comprimento da escala, sem “rockear” o taco nas quinas.
- Prossiga em 120 → 180 → 320 → 600 (e opcionalmente até 2000) apenas para fechar poros. Refaça a malha de lápis ao subir de grão para checar contato.
- Cheque retidão com régua de precisão; se quiser, use cálibre de lâminas para confirmar micro folgas. Clássicos costumam ficar absolutamente planos.
- Não arredonde bordas ainda: preserve quinas a 90 graus; o chanfrado fino vem depois dos trastes.
- Reabra a profundidade dos slots após nivelar: deixe cerca de 0.5–0.8 mm além da altura da “tang” do traste para garantir assentamento.
Malha de lápis: repita a cada troca de grão; sumiço homogêneo = contato plano.
Raio: normalmente plano (0). Alguns preferem micro fall-away após a 12ª (≈0.1–0.2 mm); opcional.
Cavaquinho: é comum usar leve raio (≈12"–16"). Use taco radiado e reabra os slots respeitando esse arco.
Ukulele: geralmente plano; por ser fino, evite excesso de lixamento no centro. Confirme a espessura mínima antes de subir o grão.
Slots: depois do nivelamento, confira profundidade real e limpe rebarbas; isso evita traste “alto” por falta de folga da tang.
A instalação dos trastes exige precisão e uniformidade para evitar trastejamentos. Trabalhe com a escala já nivelada e os slots limpos e na profundidade correta.
Passo a passo
- Preparar slots: limpe rebarbas, confirme profundidade após o nivelamento e teste a folga com um pedaço de tang.
- Cortar e ajustar: meça cada posição, corte o traste com sobra de ~2 mm por lado e desbarbe a base. Pré-curve se a escala tiver raio.
- Assentar: encaixe a partir do centro e siga para as extremidades com martelo de luthier ou prensa com caul plano/radiado. Uma gota de CA nas pontas ajuda a estabilizar.
- Chanfrar as pontas: nivele a face lateral, depois faça chanfro a 35–45 graus com lima guia até ficar uniforme.
- Nivelar, coroar e polir: marque as coroas com caneta, passe taco longo com lixa fina para tocar apenas os altos, recupere a coroa com lima de coroar e poli com lixas finas e palha de aço.
Clássicos/Viola: escala plana; fio médio-baixo (altura ~1.0–1.2 mm). Kerf comum ~0.55–0.60 mm, valide na sua marca de traste.
Cavaquinho: muitas vezes com raio 12"–16". Pré-curve o fio e use caul radiado. Altura do fio ~1.2–1.4 mm.
Ukulele: fio baixo (~0.9–1.1 mm) e kerf menor; evite excesso de CA para não manchar madeiras claras.
Escala com binding: recuar a tang nas pontas com alicate undercutter; a coroa “flutua” sobre o binding.
9) Cavalete
A preparação do cavalete requer precisão dimensional, simetria e ajuste perfeito ao raio do tampo. Trabalhe com um blank estável (jacarandá, ébano, pau-ferro), sem trincas.
Dimensões-base e partes
- Blank inicial: corte uma régua a ~20 × 10 mm e depois um trecho no comprimento do seu projeto (ex.: violão clássico ~180–190 mm). Plane e deixe todas as faces planas antes de perfilar.
- Partes do cavalete: lomo/selleta (onde vai o rastilho), meseta (bloco de amarração), valle (vale entre lomo e meseta) e aletas (asas laterais).
- Slot do rastilho: largura conforme seu rastilho (ex.: 2.5 mm), profundidade típica 4 mm; faça em duas passadas guiadas ou com fresa, conferindo paralelismo.
- Furação das cordas: fure na meseta com diâmetro adequado ao jogo (ex.: 2.0–2.5 mm em nylon; 2.5–3.0 mm em aço fino), distribuindo simetricamente. Espaçamento centro a centro típico no clássico ~11 mm; ajuste ao seu instrumento.
- Ajuste da base ao tampo: use taco de lixa curvado espelhando o raio do tampo; marque a base com grafite, assente e lixe até obter contato total (a grafite some de toda a superfície).
Sequência manual (inspirada no método espanhol)
- Marque no blank as zonas de lomo, valle e meseta. Faça dois cortes limpos para definir a altura das aletas (profundidade de referência ~7 mm) e rebaje as aletas com formão afiado, cuidando o sentido da fibra.
- Abra o slot do rastilho com dois cortes paralelos guiados por régua (ou com fresa). Junte os cortes até a largura final, mantendo o fundo plano e sem ultrapassar a profundidade de referência.
- Perfis: arredonde o lomo externamente, forme o valle e modele as aletas. Reforce o controle de espessuras usando galga/taco com lixa 80 e depois 120, 220, 320.
- Fure a meseta com gabarito: marque linha de base e centros; primeiro faça um furo guia fino, depois traga ao diâmetro final. Quebre arestas internas com broca manual ou escareador para poupar as cordas.
- Finalize superfícies e cheque simetria: topos iguais das aletas, transições suaves no valle e base 100% conformada ao tampo.
Contato total: marque a base com grafite e assente no tampo; só cole quando toda a grafite desaparecer por igual.
Slot reto e paralelo: faça em duas passadas guiadas; evite folga lateral no rastilho para não perder transmissão.
Violão/Viola: comprimento do cavalete geralmente 180–190 mm; espaçamento entre cordas ~11 mm; mantenha massa moderada nas aletas para equilíbrio entre sustentação e resposta.
Cavaquinho: cavalete compacto (ex.: 85–100 mm). Priorize baixa massa e furos bem escareados; atenção ao alinhamento do rastilho para compensação.
Ukulele: 4 furos ou amarração through-bridge; furos menores e mais próximos. Evite excesso de cola e massa no valle para manter ataque rápido.
Marcar e mascarar a área de colagem antes do acabamento preserva a madeira crua onde a cola atuará e garante o posicionamento correto em relação à escala e ao eixo do instrumento.
Passo a passo
- Eixo e referência: trace a linha central no tampo (centro da roseta). Confirme o centro do cavalete e alinhe-os.
- Escala e linha da selleta: meça da pestana até a linha teórica do rastilho igual ao comprimento da escala (ex.: 650). Adicione a compensação no rastilho (veja callouts e Prancheta do luthier no projeto) e marque a linha final da selleta.
- Simulação de cordas: com barbante ou linha, confira ângulos e alinhamento pestana-rastilho, validando a posição lateral do cavalete.
- Contorno e máscara: posicione o cavalete, contorne a peça a lápis e faça a máscara com fita crepe colada exatamente no limite externo da área de cola. Retire o cavalete.
- Preparação da superfície: dentro do contorno, quebre o brilho do verniz inexistente com lixa 220–320 (ou leve raspagem com estilete) para aumentar aderência. Essa área deve permanecer sem acabamento até a colagem.
- Notas de referência: anote distância pestana-rastilho, offset de compensação e ângulo aplicado; isso agiliza a colagem pós-acabamento.
Não vernizar a área de cola: mantenha madeira crua sob todo o cavalete. Qualquer filme de acabamento reduz a adesão.
Compensação típica (nylon): agudas +1.0 a +2.0 mm; graves +2.0 a +3.0 mm em relação à escala nominal. Ajuste ao seu setup.
Cavaquinho (aço leve): compensação mais discreta, frequentemente +1.0 a +2.0 mm. Confirme com simulação de cordas.
Ukulele: compensação reduzida, cerca de +0.5 a +1.5 mm, variando com escala/tensão. Valide no seu modelo.
A colagem do cavalete é crítica: define entonação, transmissão de vibração e durabilidade. Faça sobre a área previamente mascarada na etapa anterior, com posicionamento e pressão controlados.
Preparação imediata
- Limpeza dos furos/canais: antes de colar, passe manualmente a própria broca dos furos do cavalete (apenas com a mão) para remover possíveis resíduos do acabamento/cola. Depois, remova a máscara da área de cola.
- Desengordurar levinho: limpe a área de cola no tampo com álcool isopropílico (pano quase seco).
- Texturização cruzada: faça micro-riscos em X na base do cavalete e na área crua do tampo (formão/cútter leve ou lixa 220–320) para aumentar ancoragem — sem atingir o acabamento ao redor.
- Gabarito e fita-guia: alinhe com a linha central e linha da selleta (com compensação). Refaça a “moldura” externa com fita crepe para conter o squeeze-out e vigiar qualquer deslizamento.
Ensaio a seco e colagem
- Ensaio: monte o “sandwich” de prensagem (taco superior do tamanho do cavalete, barra longa até o braço, taco interno sob a boca). Verifique apoio plano e distribuição de carga nas aletas.
- Cola: aplique Titebond em filme fino contínuo apenas na base do cavalete. Posicione com precisão sobre a área mascarada.
- Prensagem: feche gradualmente os grampos:
- 1º grampo central (sobre a selleta) com apoio interno sob a boca;
- 2º e 3º nas aletas, usando cunhas se necessário para distribuição;
- barra longa apoiada no braço para estabilizar e evitar flexão do tampo.
- Cura: mantenha 12–24 h. Não exceda a pressão — risco de marcar/afundar o tampo.
- Limpeza pós-cura: retire os grampos; levante a fita com formão muito plano, “carregando” a cola seca junto. Remova eventuais filmes restantes com formão/lixa fina.
Pressão certa: aumente aos poucos observando o squeeze-out. Sem cola saindo = pouca pressão; saída abrupta + afundamento do tampo = pressão excessiva.
Nylon (clássico/viola): apoio interno sob a boca protege a travessa. Verifique que o taco interno fica entre a travessa da boca e o reengrosso traseiro.
Cavaquinho (aço): confira se a área sob o cavalete está bem rígida (reforço interno/bracing). Use tacos que cubram toda a meseta para não concentrar carga.
Ukulele: tampo fino: filme de cola mais contido e grampos menores. Evite sobrepressão nas aletas.
O rastilho transmite vibração das cordas para o tampo. Precisa ser duro, bem ajustado ao slot do cavalete e com topo perfilado para correta entonação e conforto.
Materiais e preparo
- Material: osso bovino bem denso (preferido), osso sintético/“marfim vegetal” ou grafite técnico. Evite peças porosas.
- Espessura base: corte a barra e deixe ligeiramente maior que a largura do slot; ajuste no abrasivo até entrar justo, sem folga lateral. Teste “vácuo”: ao empurrar, deve oferecer leve resistência e não tombar.
- Base perfeitamente plana: passe num vidro com lixa 320→600. Qualquer convexidade reduz contato/volume.
Altura e perfil
- Ação desejada (12ª casa): defina antes (ex.: clássicos 3,0–3,5 mm grave / 2,5–3,0 mm agudo; ajuste ao seu setup). Para corrigir ação na 12ª: Δrastilho ≈ 2× Δação na 12ª (baixar 0,5 mm na 12ª → baixar ~1,0 mm no rastilho).
- Topo “coroado”: largura da crista ~0,8–1,2 mm. Arredonde levemente, sem criar “planos” que causem zumbidos.
- Quebra de corda: garanta ângulo de ~12–15 graus (ajuste rampas dos furos/amarração se preciso).
- Não colar: rastilho deve ser removível para futuras regulagens; mantenha apenas encaixe justo.
Compensação (intonation)
- Clássico/Viola (nylon): linha da selleta quase reta com pequeno recuo nos graves (E/A/D) e leve avanço nos agudos (B/E). Compensações típicas são discretas (frações a ~1–2 mm), feitas no topo do rastilho.
- Cavaquinho (aço): selleta levemente angulada (3–6°) e micro-rampas individuais; controle mais sensível — avance/recuo sob cada curso.
- Ukulele (nylon/fluorocarbono): compensações pequenas; muitas vezes apenas recuo do G/C e topo ligeiramente deslocado resolve.
Acabamento
- Lixe e pole com 600→1200 (até 2000 se quiser brilho). Quebre arestas que tocam as cordas para evitar desgaste.
- Desengordure antes de montar. Monte, afine e faça checagem de oitava (12ª casa) para validar compensação.
Nylon: priorize base 100% plana e topo estreito. Pequenas rampas já mudam bem a entonação — avance com parcimônia.
Cavaquinho: mantenha a selleta firme: folga lateral gera “chorinho” indesejado. Valide oitavas com afinador clip.
Ukulele: materiais mais leves (osso sintético) funcionam bem; ganhos de timbre vêm mais do ajuste do topo do que do material.
10) Acabamento (Lixar, Selar, Verniz / Goma-laca)
Objetivo
Preparar madeira e junções para seladora/acabamento, eliminando marcas de ferramenta/cola e deixando a superfície uniforme sem arredondar bordas críticas.
Procedimento recomendado
- Sequência de grãos: 120 → 180 → 220 → 320 → 400/600 (somente se o sistema de acabamento aceitar). Troque de grão apenas quando os riscos do grão anterior sumirem.
- Tacos corretos: rígido em planos (tampo/fundo); flexível/espuma em curvas; bordas com apoio largo para não “comer” filetes.
- Mapa a lápis: sombreie levemente a área; lixe até apagar por igual (revela altos/baixos).
- Direção: sempre a favor das fibras. Em madeiras cruzadas, passe final longo no sentido dominante.
- Resíduos de cola: remova 100% (raspilha/cinzel com apoio) especialmente junto à roseta e filetes.
- Levantamento de fibra (opcional): umedeça levemente, deixe secar e dê passada fina em 320–400.
- Limpeza: pó fora com pano levemente umedecido/álcool isopropílico ou ar comprimido.
Violão/Viola: áreas largas: mantenha taco longo para não criar “barrigas”. Proteja transição tampo↔filete com apoio largo.
Cavaquinho/Ukulele: curvas apertadas exigem pressão leve e taco flexível; evite polir demais (grão 320 costuma bastar).
Luz rasante + máscara: use luz lateral para achar riscos/cola e máscara PFF2/P2 para o pó fino.
Objetivo
Uniformizar absorção e nivelar poros das madeiras abertas (ex.: jacarandá, mogno, nogueira), preparando para o acabamento (goma-laca, nitro, PU, etc.).
Escolha do sistema
- Somente seladora (fechado): abeto/cedro do tampo normalmente não precisa pore fill; apenas 1–2 demãos de seladora (dewaxed) para isolar fibras.
- Seladora + pore fill: laterais/fundo em poro aberto. Métodos: pó de pedra-pomes + goma-laca, filler à base d’água, epóxi de baixa viscosidade, ou “slurry” (pó da própria madeira + óleo/seladora).
- Compatibilidade: sempre use goma-laca descerada como “barreira universal” entre o pore fill e o topcoat (principalmente antes de nitro/PU).
Violão/Viola: fundo/laterais em jacarandá ou mogno pedem pore fill completo. No tampo (abeto/cedro), apenas selar leve para não “matar” resposta.
Cavaquinho/Ukulele: por área menor, evite massa excessiva; duas passadas finas costumam bastar. Priorize baixo peso.
Flamenco (cipreste): poro mais fechado — pore fill muito leve ou dispensável; foco em selagem e finura do acabamento.
Procedimento recomendado
- Preparação: poeira removida, áreas de cola 100% limpas. Mascarar cavidade do cavalete/escala se ainda não colados.
- Seladora base: aplique goma-laca descerada 1:1 (álcool 96%) ou seladora nitro bem fina; 1–2 demãos, secando entre elas. Lixada leve 600.
- Pore fill — escolha um método:
- Goma-laca + pedra-pomes: polir em “oito” com muñequilla carregada; a pedra-pomes vira pasta com a goma-laca e preenche poros. Raspar o excesso na diagonal com raspilha/tarjeta. Secar e nivelar em 600.
- Filler à base d’água: espalhar com espátula cruzando o veio; aguardar secagem indicada; lixar até restar filler apenas nos poros. Repetir se necessário.
- Epóxi fino 1:1: espalhar com rodo/espátula contra o veio, remover excesso imediatamente. Curar 24 h; lixar até o epóxi ficar só nos poros. Selar com goma-laca antes do topcoat.
- Selagem pós-fill: 1–2 demãos finas de goma-laca descerada para uniformizar e garantir aderência do verniz final.
- Segurança: luvas/nitrílica, PFF2/P2; epóxi e solventes pedem ventilação forte.
O acabamento final isola a madeira contra variações higroscópicas, estabiliza a estrutura e define a estética, além de impactar diretamente a projeção e o timbre do instrumento.
Goma-laca (French Polish / Polimento Francês)
- Preparo da solução: Utilize goma-laca em escamas tipo Dewaxed (descerada) diluída em álcool absoluto 96% ou isopropílico na proporção técnica de corte (aprox. 150–200 g/L).
- A boneca (Muñequilla): Molde o núcleo com estopa ou lã pura envolta em um tecido de algodão fino e lavado (sem fiapos). Lubrifique a face externa com apenas 1 gota de óleo mineral se o acessório começar a travar na superfície.
- Dinâmica de aplicação: Desenhe movimentos contínuos em formato de "8" ou órbitas circulares. Aplique sessões repetidas com recarga controlada, cruzando as passadas para garantir uniformidade micrométrica.
- Ciclos e Nivelamento: Faça de 15 a 30 sessões finas. Entre sessões de deposição, faça um nivelamento seco muito sutil usando palha de aço premium 0000 ou micro-lixa P1200 para remover imperfeições e marcas de trajeto.
- Tempo de cura: Aguarde de 48 a 72 horas para manuseio leve. A cura estrutural e a estabilização molecular completa ocorrem entre 7 e 10 dias.
Verniz de Alta Sólido (Nitrocelulose / Poliuretano)
- Condicionamento ambiental: A aplicação exige isolamento em cabine de pintura. Monitore o ambiente: mantenha de 18°C a 25°C com a Umidade Relativa (UR) estritamente entre 40% e 60%.
- Técnica de aspersão: Ajuste a pistola HVLP para atomização fina. Aplique demãos paralelas com sobreposição constante de 50%, evitando o acúmulo nas quinas e curvas de raio apertado.
- Janelas de intervalo: Respeite o tempo de evaporação de solventes (Nitro: 1 a 3 horas entre demãos; PU: 12 a 24 horas conforme o catalisador químico). Promova o lixamento de quebra de brilho (P800 a P1200) entre demãos.
- Evolução do polimento: Após atingir a cobertura de 6 a 10 demãos, aguarde a retração da resina. Efetue o lixamento plano sequencial em progressão linear ($P800 \rightarrow P1200 \rightarrow P1500 \rightarrow P2000$). Finalize o lustro com boina macia e compostos de polimento automotivos isentos de silicone.
- Cura funcional: Respeite o prazo de estabilização mecânica antes de fixar ferragens ou tracionar o encordoamento (Nitrocelulose: 2 a 4 semanas; Poliuretano: 7 a 14 dias).
Espessura do filme: A película protetora deve ser mantida o mais fina possível. Alvos técnicos recomendados: Goma-laca ~30–60 µm; Nitrocelulose ~80–120 µm. Camadas excessivas amortecem a flexibilidade harmônica e "matam" a resposta de projeção.
Hibridismo Clássico: Em violões e violas de concerto, é comum aplicar a técnica híbrida: goma-laca no tampo (para máxima leveza e resposta rápida) e verniz nitro/PU nas laterais e no fundo (para maior proteção contra desgaste físico).
Instrumentos de Alta Frequência: Devido à caixa acústica reduzida de cavaquinhos e ukuleles, evite massas de verniz densas. Demãos ultra-finas preservam o ataque brilhante e os harmônicos agudos característicos destes instrumentos.
Barreira Universal: Caso opte por usar goma-laca como base seladora protetora sob camadas subsequentes de nitro ou PU, certifique-se de que ela é 100% livre de cera (dewaxed) para evitar falhas graves de ancoragem química e descascamentos.
Boas práticas de Oficina
- Isolamento rígido: Mascare perfeitamente a área onde o cavalete será colado e sele a boca do instrumento. Lembre-se: cola de madeira não adere sobre superfícies seladas ou envernizadas.
- Inspeção com Luz Rasante: Avalie a superfície sob iluminação lateral de bancada entre as trocas de lixas. Qualquer risco negligenciado será amplificado e ficará evidente após o lustro final.
- Prevenção de Marcas d'Água: Suavize e quebre levemente os cantos vivos e as linhas de transição de fitas com lixa P1200 antes de iniciar o processo de polimento mecânico com boina.
11) Montagem Final
A pestana (nut) atua como o ponto zero mecânico-vibratório do instrumento. Ela dita a altura inicial das cordas soltas, influenciando diretamente o conforto tátil, a precisão da entonação harmônica e o timbre das notas nas primeiras casas.
- Material estrutural: Utilize blocos densos de osso bovino natural, marfim vegetal ou compósitos tecnológicos rígidos (como o TUSQ). Evite plásticos injetados ou flexíveis, que amortecem a energia de ataque das cordas.
- Ajuste de ancoragem (Encaixe): A base e as laterais da pestana devem estar perfeitamente planas e sem folgas em relação ao slot do braço. Retifique a peça usando blocos abrasivos rígidos sobre uma superfície de referência plana.
- Referência de altura inicial: Fixe como ponto de partida geral as medidas de 0,5 mm de folga para a 1ª corda e 0,8 mm para a 6ª corda, realizando a leitura milimétrica com cálibre de lâminas posicionado diretamente sobre o topo do 1º traste.
- Direcionamento dos canais: Abra os sulcos utilizando limas específicas calibradas (nut slots files). A largura do canal deve equivaler ao diâmetro nominal da corda acrescido de uma folga técnica de 0,02 mm a 0,05 mm. Crítico: O canal deve possuir uma inclinação suave descendente voltada para a cabeça do instrumento (headstock) para que a corda encontre o ponto nítido de apoio no limite exato onde se inicia a escala.
- Alívio do topo da pestana: Após atingir a profundidade definitiva dos canais, desbaste o topo da peça para que aproximadamente 50% do diâmetro de cada corda fique exposto acima do canal. Isso evita o excesso de atrito lateral e elimina ruídos indesejados.
- Distribuição geométrica (Espaçamento): Realize a marcação dos centros baseando-se no método de "lacunas/gaps proporcionais" em vez de centros milimetricamente iguais. Isso compensa visual e tatilmente o diâmetro superior dos bordões. Garanta uma margem de segurança de 3,0 mm a 3,5 mm em relação às bordas externas da escala.
- Lubrificação e montagem: Aplique grafite de alta pureza (grau 6B ou superior) no interior dos canais para facilitar o escoamento no momento da afinação. Fixe a peça aplicando de 1 a 2 microgotas de cola vinílica (Titebond) ou cianoacrilato de alta viscosidade apenas na face voltada para a escala; a pestana deve permanecer facilmente removível para futuras manutenções.
Violão Clássico: Largura padrão de pestana de 51 mm a 53 mm com espaçamento útil E-E de 43 mm a 45 mm. O alvo milimétrico final de folga sobre o 1º traste deve ser de ~0,45 mm nas cordas agudas e de ~0,65 mm a 0,75 mm nos bordões.
Viola Caipira (5 ordens / 10 cordas): Largura nominal entre 48 mm e 50 mm. Remodele os canais duplos de cada ordem mantendo os eixos paralelos em semicírculos perfeitamente polidos. Amplie a margem de segurança lateral para 3,5 mm para evitar que os canais externos fiquem muito próximos do chanfro dos trastes.
Cavaquinho: Pestana estreita com dimensões de 30 mm a 33 mm. O alvo de ação residual sobre o 1º traste situa-se estritamente entre 0,35 mm e 0,55 mm. Em virtude do uso de cordas de aço sob alta tensão, realize o polimento fino dos sulcos para evitar micro-travamentos e quebras de corda durante micro-afinações.
Ukulele: Modelos Soprano/Concert utilizam de 35 mm a 37 mm; Tenor adota de 37 mm a 38 mm. Materiais sintéticos como o fluorocarbono tendem a travar e sofrer desgaste precoce caso o diâmetro do canal seja excessivamente justo. Certifique-se de realizar o acabamento interno dos sulcos com lixas micro-abrasivas.
Vetor de Quebra: O ângulo de inclinação estrutural da corda em direção às tarraxas deve oscilar entre 12° e 18°. Angulações muito baixas reduzem a pressão vetorial sobre a pestana causando perdas severas de sustentação (sustain), enquanto ângulos agudos demais elevam o atrito e causam instabilidade crônica de afinação.
Boas práticas de Oficina
- Teste Prático Dinâmico: Para checar a eficiência do ajuste sem equipamentos de precisão, pressione a corda na terceira casa e inspecione o espaço sob a primeira casa. Deve restar uma folga mínima (equivalente à espessura de um papel de gramatura leve) entre a corda e o topo do primeiro traste.
- Esquadrejamento do Slot: Limpe todos os resquícios de cola antiga ou poeira de verniz do encaixe do braço antes de posicionar a nova pestana. Qualquer inclinação oculta na base alterará o ângulo de escoamento e a compensação tonal.
A montagem mecânica do encordoamento dita o equilíbrio de tensões estáticas sobre a caixa harmônica do instrumento. A execução precisa dos nós de amarração e o correto sentido de rotação dos eixos evitam perdas de energia vibratória, instabilidades micro-tonais crônicas e danos estruturais no tampo.
1) Compatibilidade de Carga Estática e Preparação
- Dimensionamento de tensão: Restrinja o uso de jogos de alta ou extra-alta tensão a instrumentos cujo leque harmônico (bracing system) e tampos foram projetados especificamente para suportar cargas elevadas. Em tampos responsivos ou antigos, adote exclusivamente calibres de tensão leve ou média.
- Preparação das interfaces de fricção: Antes de esticar as cordas, limpe as cavidades internas e os sulcos do rastilho e da pestana. Remova micro-rebarbas cristalizadas de verniz e aplique uma película seca de grafite microfino de alta pureza (grau 6B a 8B) para mitigar o coeficiente de atrito estático.
2) Vetores de Ancoragem no Cavalete
- Sistema Tie-Block Tradicional (Nylon): Execute uma laçada simples para os bordões (4ª, 5ª e 6ª cordas) e uma laçada dupla obrigatória para as cordas primas (1ª, 2ª e 3ª cordas). Posicione a seção terminal livre da corda (chicote) travada por baixo da última volta na face posterior do bloco de amarrar, mitigando o risco de escape e estalos mecânicos.
- Sistema Moderno de 12 Furos: Passe a corda pelo canal primário, retorne-a pelo canal secundário adjacente e trave a extremidade sob o laço. Este método elimina a necessidade de nós volumosos, preserva a integridade estética da madeira e aumenta o ângulo de quebra (break-angle) sobre o topo do rastilho.
- Furos Passantes e Cavidades com Ball-End: Insira a corda através do tampo e use nós de esferas ou travas duplas axiais quando o encordoamento não possuir terminais cilíndricos de fábrica, inspecionando o assentamento interno sob a placa de ponte (bridge plate).
3) Orientação Dinâmica de Enrolamento nas Tarraxas
- Vetor Descendente (Down-Wind): Transpasse a extremidade livre pelo orifício do poste metálico ou fenólitico, realize uma pré-dobra angular rígida de 90° e rotacione o eixo de forma que as espiras subsequentes acomodem-se em espiral descendente. Esse alinhamento força a corda para baixo, maximizando a pressão vetorial sobre os canais da pestana sem causar pinçamento lateral.
- Mecânica de Travamento (Lock-Wrap para Aço): Em filamentos de aço ou núcleos muito finos, cruze a extremidade livre por baixo do corpo principal da corda antes de iniciar a tração do eixo. Isso cria um laço auto-bloqueante que impede o escorregamento da corda em afinações sob alta carga de tração.
- Controle de Espiras por Poste: Limite o número de voltas nos eixos para evitar sobreposições e emaranhados: adote de 2 a 4 voltas para filamentos poliméricos (nylon/fluorocarbono) e estritamente de 1 a 2 voltas completas para cordas de liga de aço.
4) Ciclo de Tensionamento Progressivo e Assentamento
- Ordem de tracionamento simétrico: Eleve a tensão do jogo seguindo uma sequência alternada (ex: 6ª → 1ª → 5ª → 2ª) em pequenos incrementos lineares. Essa distribuição impede a torção assimétrica e momentânea do braço ou o deslocamento do cavalete colado.
- Alívio de acomodação molecular: Realize leves trações manuais verticais ao longo de toda a extensão útil da corda entre as etapas de afinação, acomodando os nós e acelerando a estabilização elástica do material.
Violão Clássico: Filamentos puros de nylon polimérico exigem entre 24 e 72 horas de tração contínua para atingir a estabilização plástica completa de sua estrutura interna. O uso da laçada dupla nas primas é indispensável para evitar que a corda deslize e chicoteie o tampo.
Viola Caipira: Sendo um sistema composto por 5 ordens duplas de aço de alta pressão, utilize obrigatoriamente a técnica de lock-wrap nos postes metálicos. Suba a afinação de forma lenta e integrada para resguardar a junta colada do cavalete contra cisalhamentos súbitos.
Cavaquinho: Devido às bitolas finas de aço sob alta tensão linear, apenas 1 a 1,5 voltas nos pinos com travamento mecânico são suficientes. Proteja a superfície envernizada do tampo adjacente ao cavalete durante a troca para evitar riscos causados pelas pontas vivas do aço.
Ukulele: Monofilamentos de fluorocarbono possuem densidade elevada e superfícies escorregadias. Garanta de 2 a 3 voltas organizadas nos eixos das tarraxas. Em pontes do tipo tie-bar, execute um nó cego simples duplo na ponta terminal para atuar como retentor mecânico absoluto.
Ângulos Críticos de Quebra: Monitore visualmente se os filamentos mantêm uma angulação livre e limpa de contato entre as cristas do rastilho/pestana e seus pontos de amarração. A corda nunca deve encostar fisicamente nas superfícies de madeira do tampo ou do headstock após ultrapassar os pontos zero de apoio.
Diagnóstico Técnico Preventivo
- Inspeção Pós-Carga: Após estabilizar a afinação nominal do instrumento, examine minuciosamente com um espelho de inspeção luthier o comportamento do bloco de amarrar e a estabilidade da colagem do cavalete, certificando-se de que não há micro-frestas de descolamento causadas pelo estiramento inicial.
A regulagem define conforto, dinâmica e estabilidade. Trabalhe em ciclos curtos: medir → ajustar pouco → medir de novo.
Checklist objetivo
- Ação na 12ª casa (medida topo do traste → parte inferior da corda): referência comum: 1ª corda ≈ 2,5–3,0 mm; 6ª corda ≈ 3,5–4,0 mm.
- Relação rastilho → 12ª: toda correção no rastilho reflete ~metade na 12ª casa (2:1). Ex.: baixar 0,5 mm na 12ª ⇒ lixar ~1,0 mm na base do rastilho.
- Alívio do braço (relief): pressione 1ª e 12ª, meça a folga na 7ª; alvo típico clássico 0,10–0,25 mm.
- Pestana (nut): com a corda pressionada na 3ª, a folga sobre a 1ª deve ser mínima (≈0,05–0,10 mm). Sem pressionar, alturas usuais: 1ª ≈ 0,5 mm; 6ª ≈ 0,8 mm.
- Ângulos e assentamento: checar quebra sobre pestana/rastilho, rampas no cavalete se necessário, e pontas de traste suaves.
Procedimento
- 1) Medir ação atual: régua milimetrada na 12ª casa (1ª e 6ª cordas). Anote metas.
- 2) Ajustar pelo rastilho: marque a base, lixe em taco plano mantendo a base perfeitamente reta; aplique a relação 2:1 e teste.
- 3) Checar alívio: se a folga na 7ª estiver zero (ou muito alta), revise nivelamento/planeamento de escala e trastes; ajuste do tensor apenas se o seu projeto usar.
- 4) Corrigir pestana: aprofunde canais com limas específicas, mantendo inclinação em direção ao rastilho; avance em décimos de milímetro.
- 5) Refinos finais: verifique trastes “altos” com fret rocker, arredonde pontas, e confirme ângulos de quebra das cordas.
Violão clássico: ação de concerto tende mais alta (≈ 3,0 / 4,0 mm). Nylon assenta em 24–72 h; regule após estabilizar.
Viola caipira (aço): alvo comum 2,0–2,5 mm nas primas e 2,5–3,5 mm nos bordões; garanta lock-wrap nas tarraxas.
Cavaquinho: ação baixa favorece ataque; cuidado com trastejamento local — priorize nivelamento de trastes.
Ukulele: fluorocarbono flexibiliza rápido; alinhe a pestana para ação confortável sem “chorado” nas primeiras casas.
Clima: umidade muda ação. Sempre recheck após 24 h do encordoamento e com instrumento no ambiente final.
Checagem estrutural, geométrica e acústica antes da entrega. Trabalhe em ambiente controlado (≈45–55% UR).
Checklist rápido
- Geometria: centro do tampo → alinhado a roseta, escala, filetes e cavalete; braço co-linear ao eixo do corpo.
- Ação & relief: confirmar alturas na 12ª (1ª/6ª) e folga na 7ª; revisar pestana (testes da 3ª casa) e rastilho.
- Acústica: tocar todas as notas em todas as cordas (ataque leve→forte); ouvir trastejamentos, “wolf notes”, zumbidos.
- Estrutura: bater levemente o tampo e fundo (martelo de borracha) e ouvir se há peças soltas; inspecionar colagens internas pela boca.
- Acabamento: luz rasante para bolhas/escorridos; sem resíduos de cola na roseta/filetes; bordas de traste suaves.
- Ferragens: tarraxas firmes e suaves; pinos/parafusos sem folga; cordas bem assentadas.
- Documentação: nº de série, data, pesos, ação (1ª/6ª), alturas nut/rastilho, escala, medidas do cavalete; fotos finais.
Violão clássico: referência comum: ação ≈ 2,8 mm (1ª) / 3,8 mm (6ª) na 12ª; recheck após 24–72 h do encordoamento.
Viola caipira: priorize estabilidade com pares; ação típica 2,0–2,5 mm (primas) / 2,5–3,5 mm (bordões); checar oitavas.
Cavaquinho: ação baixa pede trastes muito nivelados; examine trastejamento local na região 7–10.
Ukulele: cordas assentam rápido; verifique entonação com capotraste na 5ª para confirmar compensação.
Envio/entrega: para transporte longo, alivie ~½ volta de tensão; inclua cartão com umidade recomendada e plano de revisão.
12) Regulagem & Entrega
As cordas já foram instaladas e o instrumento está na afinação de trabalho. Agora é hora de realizar um ajuste fino para verificação da ação das cordas e garantir que o instrumento está na condição ideal para o seu uso.
- Meça a altura das cordas na 12ª casa (referência comum: 2,8 mm na 1ª e 3,8 mm na 6ª).
Se necessário, ajuste a ação das cordas da seguinte forma:
- Lixe a base do rastilho em etapas muito pequenas (taco plano), conferindo a cada ajuste.
- Revise a pestana se houver desconforto nas 1–3 primeiras casas (teste da “3ª casa”).
- Cheque leve relief por volta da 7ª (folga mínima ao pressionar 1ª e última casa).
Violão Clássico: Primeiro traste: ação-alvo típica 0.8 – 1.6 mm.
Decimo
Segundo traste: ação-alvo típica 2.5 – 4.0 mm
Violão Aço: Primeiro traste: ação-alvo típica 0.40-1.00 mm
Decimo Segundo
traste: ação-alvo típica 1.5-3.0 mm
Viola: Primeiro traste: ação-alvo típica 0.8 – 2.0 mm
Decimo Segundo traste:
ação-alvo típica 2.5 – 4.5 mm
Cavaquinho: ação baixa exige trastes impecáveis; alvo 1,8–2,4 mm (1ª) / 2,2–2,8 mm (4ª traste).
Ukulele: 1,8–2,2 mm (1ª) / 2,2–2,6 mm (4ª) na 12ª; compense depois no rastilho se preciso.
- Afine a corda; compare nota solta, harmônico na 12ª e nota frettada na 12ª.
- 12ª baixa (frettada abaixo): encurte o ponto de contato → avance o break-point no rastilho.
- 12ª alta (frettada acima): alongue o ponto de contato → recuar o break-point no rastilho.
- Trabalhe a compensação por corda (limas finas e polimento), mantendo a coroa limpa e sem rebarbas.
Dica: verificar também a “rampa” no bloco do cavalete (saída do furo) para melhorar ângulo e estabilidade.
- Limpe com pano de microfibra. Para escala e cavalete, óleo de limão moderado (sem silicone).
- Remova marcas e resíduos de cola (estilete/raspilha muito plana; retoque com polidor fino se necessário).
- Retoque pequenas imperfeições no verniz (grão 2000 → polidor) ou goma-laca (passes leves de boneca).
Acabamento: evite silicones e ceras “automotivas” sobre goma-laca; em nitro/PU use polish não-abrasivo.
- Preencha e cole a etiqueta interna (nome, modelo, nº de série, data, madeira, assinatura).
- Registre medidas finais: ação (1ª/6ª na 12ª), altura nut/rastilho, escala, peso, umidade na entrega.
- Opcional: QR code com link para ficha técnica e plano de manutenção.
- Fotografe (frente, fundo, laterais, headstock, roseta, cavalete, filetes, etiqueta) com luz difusa.
- Entregue com guia de cuidados: UR ideal 45–55%, limpeza, troca de cordas, revisões.
- Inclua cartão de garantia e recomendações de transporte/umidificação do estojo.
Parabéns! Instrumento finalizado.